9 de setembro de 2026
A saúde mental não deve ser pensada somente como uma questão individual. Ela resulta da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Por isso, seu cuidado também é uma questão de saúde pública e um direito constitucional, cuja garantia é dever do Estado brasileiro.
Realizado em todas as regiões do Brasil, o Covitel 2023 mapeou a saúde da população adulta e identificou números expressivos relacionados a transtornos mentais.
Os dados mostram que 12,7% dos brasileiros receberam diagnóstico médico de depressão, enquanto 26,8% receberam diagnóstico de ansiedade. Entre os que receberam diagnóstico de depressão, 18,1% são mulheres e 6,9% são homens. Em relação à ansiedade, 34,2% dos diagnosticados são mulheres e 18,9% são homens.
Além de as mulheres procurarem mais os serviços de saúde, parte dessa diferença significativa entre os gêneros está relacionada a fatores sociais, como sobrecarga, desigualdades no trabalho e na vida cotidiana, e questões hormonais, como puberdade, pós-parto e perimenopausa.
Mas, quando se trata de suicídio, o cenário se inverte. Dados do Observatório da Saúde Pública indicam que, em 2024, foram registradas 16.751 mortes por suicídio no país. Desse total, 77,9% correspondem a homens e 22,1% a mulheres.
A maior proporção entre a população masculina está relacionada à resistência em buscar ajuda, além de fatores como consumo de álcool e outras drogas, desemprego e violência.
Nesse contexto, em setembro de 2025, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) lançou uma iniciativa para fortalecer a prevenção do suicídio nas Américas. A ação se concentra em três frentes:
- Fortalecer os planos nacionais: apoiar os países na elaboração ou atualização de estratégias e planos de prevenção do suicídio adaptados às populações em maior risco.
- Ampliar o acesso à saúde mental: capacitar profissionais de saúde e comunidades para identificar e apoiar pessoas em situação de risco, além de oferecer suporte às famílias afetadas por suicídio ou autolesões.
- Reduzir o estigma: trabalhar com profissionais da mídia para promover uma cobertura responsável e desenvolver campanhas que contribuam para reduzir os tabus relacionados à saúde mental.
No Brasil, o acesso ao cuidado da saúde mental passa pelo SUS, por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que reúne diferentes serviços:
- Atenção Primária: Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Consultórios na Rua
- Atenção Estratégica: Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
- Atenção de Urgência e Emergência: SAMU 192 e Unidades de Pronto Atendimento (UPA)
- Atenção Hospitalar: leitos de saúde mental em hospitais gerais
- Estratégias de Desinstitucionalização: Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) e o programa De Volta para Casa
A população também pode contar com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188.
Esse cuidado também envolve outras políticas públicas, como o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), por meio de:
- Proteção Social Básica (CRAS): oferece proteção social básica, orientação, acesso a benefícios e serviços e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários.
- Proteção Social Especial (CREAS): atende pessoas e famílias em situação de risco social, como casos de violência, negligência e abandono, oferecendo acompanhamento e encaminhamentos para outros serviços públicos.
A existência de uma rede pública de saúde mental é fundamental, mas a estrutura ainda enfrenta desafios, como demora e filas para conseguir atendimento especializado, falta e distribuição desigual de psicólogos e psiquiatras, número insuficiente de serviços especializados, como os CAPS, desigualdade no acesso entre regiões e municípios e subfinanciamento.
Por Gabriela Farias
Leia também
33ª Marcha pela Justiça: quando o presente não basta
Continue lendo...
O voto dos idosos faz diferença
Continue lendo...
O karma é sempre dos outros
Continue lendo...