1 de setembro de 2026
O voto dos idosos nunca teve tanto peso nas eleições brasileiras. Hoje, pessoas com 60 anos ou mais representam 23% do eleitorado, o maior percentual já registrado. Entre 2010 e 2026, esse eleitorado cresceu 74%, passando de 20,8 milhões para 36,2 milhões, acima do crescimento do eleitorado geral, de 15%.
A população 60+ também tem um peso econômico importante. Segundo a CNDL e o SPC Brasil, 91% dos brasileiros com mais de 60 anos contribuem para o sustento da casa, e 52% são os principais responsáveis pela renda familiar.
Apesar desse cenário, é comum a percepção de que, depois de certa idade, a participação política já não é tão necessária. Muitos idosos não acreditam que seu voto possa influenciar os rumos do país, embora decisões políticas afetem diretamente suas vidas — da saúde e da Previdência à renda, moradia, mobilidade, cuidados e assistência social.
Essa percepção se reflete nos altos índices de abstenção no grupo, acima da média da população. Em 2022, 34,5% dos eleitores com 60 anos ou mais não compareceram às urnas, contra 21% do eleitorado geral. Entre os maiores de 70 anos, idade a partir da qual o voto não é obrigatório, a abstenção chegou a quase 60%. Ou seja, 8 milhões de pessoas dessa faixa etária não votaram, e uma disputa presidencial decidida pela diferença de 2 milhões de voto.
Os dados mostram que o eleitorado idoso tem força para influenciar o resultado de uma eleição, e tem muito a ganhar ou a perder com as escolhas que saem das urnas. Engajar esse público significa reconhecer que os idosos não estão à margem da vida política e econômica e que sua participação é fundamental para a democracia e para as decisões que definem o futuro do país.
Por IREE
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