26 de janeiro de 2026
A entrevista foi publicada originalmente pelo jornal Estadão.
Por Ítalo Lo Re
A politização da segurança pública, tema de maior preocupação dos brasileiros, freia novas edições de operações como a Carbono Oculto, considerada referência no combate à infiltração de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal. Essa é a avaliação do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, há mais de duas décadas no encalço do crime organizado pelo Ministério Público paulista (MP-SP).
O cenário, segundo ele, demanda maior envolvimento do governo federal, principalmente para coordenar ações em nível federal e retomar iniciativas deixadas de lado. “A criação da autoridade nacional antimáfia virá, no futuro, a solucionar essa questão de disputa institucional ou mesmo de disputa política”, afirma, em entrevista ao Estadão.
Em livro lançado recentemente ao lado do advogado Walfrido Warde, chamado O Brasil Livre das Máfias (ed. Contracorrente), Gakiya, que integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado, contribui para a discussão sobre o que seriam linhas gerais de um modelo de combate ao crime organizado.
Os autores listam medidas adotadas em outros países, como em Itália e Reino Unido, para asfixiar o crime organizado, além de sugerir a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações de tipo mafioso, o que pode facilitar a adoção de medidas focadas em combater facções com atuação transnacional.
O Ministério Público aponta que o PCC já lucra R$ 10 bilhões ao ano, com o tráfico internacional de cocaína como carro-chefe. As altas movimentações financeiras fizeram a facção entrar em uma nova fase em sua quarta década de existência, com demonstrações latentes de poderio bélico – como no assassinato de Antônio Vinícius Gritzbach, no fim de 2024 – e esquemas sofisticados para lavagem de dinheiro.
“A figura do Antônio Vinícius Gritzbach (morto a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo) é um exemplo de como o PCC se sofisticou nas suas associações criminosas. Hoje ele tem vários operadores financeiros que auxiliam a colocar esse dinheiro do tráfico internacional na economia formal e empresas, inclusive, que não são de fachada”, afirma.
Deflagrada no ano passado pelo MP-SP em parceria com outros órgãos, a Carbono Oculto foi uma tentativa justamente de desarticular esquemas de lavagem de dinheiro, colocando na mira possíveis braços da organização criminosa no setor de combustíveis e até na Avenida Brigadeiro Faria Lima, principal polo econômico do País. Agora, é necessário ir além.
Gakiya é favorável à recriação do Ministério da Segurança Pública e ao avanço do PL Antifacção e da PEC da Segurança Pública. Também se mostra confiante em relação à fundação de uma autoridade antimáfia mesmo após a medida ter sido preterida ano passado. Ao mesmo tempo, o promotor faz ressalvas à chamada PEC da Blindagem e à Operação Contenção, a mais letal da história do Rio, com mais de 120 mortes.
Leia a entrevista completa aqui.
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