Urna eletrônica: entenda por que é segura – IREE

Análises e Editorial

Urna eletrônica: entenda por que é segura

28 de julho de 2026

A urna eletrônica completa 30 anos em 2026. Utilizada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996 e adotada em todo o país desde 2000, ela foi desenvolvida pela Justiça Eleitoral para registrar e apurar votos de forma rápida, segura e auditável.

Desde sua implantação, o Brasil realizou 15 eleições com voto eletrônico sem qualquer comprovação de fraude no sistema. Ainda assim, a urna continua sendo alvo de campanhas de desinformação que colocam em dúvida sua segurança e confiabilidade.

Entender como a urna eletrônica funciona é essencial para distinguir fatos de desinformação. A seguir, explicamos os principais mecanismos que garantem a segurança e a auditabilidade do sistema.

O que é a urna eletrônica?

A urna eletrônica é um microcomputador desenvolvido exclusivamente para as eleições. Projetada para funcionar de forma independente, conta com bateria própria, não é conectada à internet e utiliza sistemas desenvolvidos pela Justiça Eleitoral. Além disso, possui mecanismos de segurança para proteger o registro dos votos.

O equipamento é composto por dois terminais: o do mesário, responsável por identificar o eleitor e liberar a votação, e o do eleitor, onde o voto é registrado. O sistema não permite identificar em quem o eleitor votou, preservando o sigilo do voto.

Segurança que pode ser verificada

A urna eletrônica conta com diferentes mecanismos de proteção que impedem acessos indevidos e alterações nos registros, detectam tentativas de violação e bloqueiam a execução de softwares não autorizados.

Esses recursos são complementados por auditorias públicas realizadas antes, durante e depois das eleições. Partidos políticos, Ministério Público, Polícia Federal, universidades e outras entidades fiscalizadoras podem acompanhar diferentes etapas desse processo.

Antes da votação, os programas instalados nas urnas passam por uma cerimônia pública de assinatura digital e são lacrados. Já no dia da eleição, antes da abertura da votação, cada equipamento imprime a chamada Zerésima, documento que comprova que a urna inicia o processo sem qualquer voto registrado.

Também no dia da eleição é realizado o Teste de Integridade. Urnas escolhidas por sorteio são retiradas de suas seções e submetidas a uma auditoria pública, na qual uma votação simulada é registrada simultaneamente em cédulas de papel e na urna eletrônica. Ao final, os resultados são comparados com o Boletim de Urna para verificar se todos os votos foram registrados e apurados corretamente. Desde 2002, o teste confirmou o correto funcionamento de todas as urnas auditadas, sem registro de divergências.

Como os resultados são conferidos

Encerrada a votação, cada urna imprime o Boletim de Urna (BU), documento público que apresenta a totalização dos votos daquela seção eleitoral. Somente depois disso, os dados são transmitidos de forma criptografada aos sistemas de totalização da Justiça Eleitoral.

Outro mecanismo de verificação é o Registro Digital do Voto (RDV), um arquivo digital que registra todos os votos de forma aleatória, preservando o sigilo do eleitor. Esse registro pode ser utilizado por partidos políticos e outras entidades fiscalizadoras para auditar a votação e conferir se a apuração corresponde aos votos efetivamente registrados pela urna.

A combinação desses procedimentos, desde o desenvolvimento dos programas até a conferência dos resultados, faz da urna eletrônica um sistema confiável que tem servido de modelo e inspiração para todo o mundo.

 

Este é o nono material da nossa série especial sobre as eleições. Siga acompanhando!



Por IREE

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