23 de março de 2026
Independentemente do posicionamento político, os eleitores brasileiros compartilham as mesmas preocupações — segurança, custo de vida e acesso à saúde — e esperam respostas mais práticas dos candidatos em 2026, segundo pesquisa qualitativa conduzida pela cientista política Carolina de Paula.
“Os incômodos dos brasileiros são muito parecidos, sejam eles de direita ou de esquerda. Nisso não tem polarização”, afirma a pesquisadora.
Segundo ela, um dos pontos mais relevantes identificados na pesquisa é a mudança de percepção sobre a segurança pública dentro do campo progressista, em que cresce a avaliação de que as leis são pouco eficazes. “Isso tem impacto direto no cenário eleitoral: há uma demanda crescente, inclusive entre eleitores de esquerda, por respostas mais firmes na área de segurança. Virou uma pauta da direita, mas não precisa ser”, diz a cientista política.
O levantamento integra o Monitor do Debate Público, realizado pelo IESP-UERJ, com apoio do INCT-REDEM, e é baseado em grupos focais no WhatsApp, que permitem acompanhar percepções do eleitorado ao longo do tempo. Por ser qualitativa, a pesquisa aponta tendências, sem caráter estatístico.
Propostas concretas
O foco do eleitorado em propostas mais concretas foi outro ponto de destaque do levantamento. “O eleitor da militância já está consolidado, mas o eleitor a ser conquistado espera mais pragmatismo”, afirma Carolina de Paula.
Esse cenário aponta para um clima eleitoral mais alinhado à lógica das disputas municipais, com foco em temas de impacto direto na vida dos eleitores e menor peso de pautas ideológicas. “Vai ser uma eleição acirrada, mas será um erro apostar na polarização, pois quem vai decidir é o grupo de indecisos que está esperando propostas e rejeita discursos disruptivos”, explica a cientista política.
Segundo ela, o nível de engajamento político tem sido superestimado. Na prática, os eleitores mais mobilizados são minoria, enquanto a maior parte demonstra cansaço com campanhas baseadas em confronto e “lacração”. Ela acredita que o interesse desses eleitores não estará em discursos antipolítica, mas em candidatos capazes de apresentar medidas viáveis para os problemas.
“O fim da escala 6×1 é uma pauta forte, ou a isenção dos impostos, medidas que mostrem o que vai melhorar na vida das pessoas. É uma eleição mais de temas do que de ideologia”, define.
Segurança pública
A pesquisa indica que a segurança pública vem se consolidando como um dos principais eixos da eleição deste ano, figurando entre as maiores preocupações dos eleitores, com destaque para a sensação de insegurança nas ruas e as restrições na rotina. A violência contra a mulher também surge como tema central e tende a ganhar ainda mais relevância ao longo da campanha.
“O que está mais disseminado é o medo de furto e da violência contra a mulher. Há um sentimento de insegurança nas ruas, de não poder sair com o celular. Isso aparece também no interior, com relatos de que as pessoas não conseguem mais sentar na frente de casa para conversar por causa dos roubos. Em relação à violência contra a mulher, quase sempre há alguém que conhece um caso ou já passou por uma situação desse tipo”, afirma a pesquisadora.
Custo de vida
Segundo Carolina de Paula, a economia segue como tema clássico das eleições, mas a pesquisa identificou que o foco dos eleitores está mais em questões concretas do que em indicadores. “Todo mundo está de acordo de que o custo de vida está alto e que a conta não está fechando. Os preços, principalmente de aluguel, subiram, e o salário não acompanhou”, explica.
Saúde
A saúde pública também aparece como uma área crítica, com menções recorrentes à demora no atendimento, escassez de profissionais, falta de medicamentos, superlotação e desigualdades no acesso entre regiões e classes sociais.
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