9 de fevereiro de 2026
Pela primeira vez desde o início dos registros climáticos modernos, o mundo registrou três anos consecutivos, de 2023 a 2025, com temperatura média acima de 1,5°C em relação ao período pré-industrial. O alerta climático foi feito pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da Comissão Europeia, principal agência climática global.
O limite de 1,5°C é a principal meta estabelecida pelo Acordo de Paris, firmado em 2015 por quase 200 países. Ele funciona como uma linha de segurança: ultrapassá-lo de forma persistente aumenta significativamente o risco de eventos extremos. O fato de esse limiar ter sido superado por três anos seguidos indica que o planeta já opera em uma rota de aquecimento considerada perigosa.
Em 2023, a temperatura média global ficou 1,48°C acima dos níveis pré-industriais. No ano seguinte, 2024, o aquecimento avançou ainda mais, alcançando 1,60°C, o que tornou esse o ano mais quente já registrado. Já em 2025, a temperatura permaneceu elevada, 1,47°C acima do período pré-industrial.
Segundo o Copernicus, a sucessão de recordes está associada a uma combinação de fatores entre eles o acúmulo de gases de efeito estufa emitidos pela ação humana, temperaturas recordes dos oceanos, a influência do El Niño, e a redução da capacidade de absorção de CO₂, causada pelo avanço do desmatamento e pelo degelo acelerado de regiões polares.
O retrato climático de 2025
Embora não tenha superado o recorde absoluto de 2024, 2025 foi o terceiro ano mais quente da história, apenas 0,01°C mais frio que 2023 e 0,13°C abaixo do recorde de 2024. O aquecimento foi especialmente intenso nas regiões polares: a Antártica registrou o ano mais quente já medido, enquanto o Ártico teve o segundo ano mais quente de sua série histórica.
Os efeitos do aquecimento global recorde já se refletem no cotidiano de bilhões de pessoas. O planeta enfrentou ondas de calor sem precedentes, secas prolongadas, incêndios florestais intensos e uma piora significativa da qualidade do ar em diversas regiões. Segundo os dados, metade da população mundial viveu mais dias de estresse térmico, que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a principal causa de mortes relacionadas ao clima no mundo.
Os três anos consecutivos acima de 1,5°C não representam apenas uma estatística alarmante. Eles reforçam o consenso científico de que a janela para conter os piores impactos da crise climática está se estreitando rapidamente, e que as decisões tomadas agora terão efeitos duradouros sobre o futuro do planeta.
Por IREE
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