28 de janeiro de 2026
Em 2025, o Brasil registrou um recorde de denúncias de trabalho escravo e condições análogas à escravidão. Foram 4.515 denúncias, o maior número da série histórica, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Os registros incluem casos de trabalho escravo infantil e de adultos submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade. Apenas uma dessas situações é suficiente para configurar a exploração de trabalho escravo no Brasil.
O crescimento no número de denúncias não indica, necessariamente, aumento do crime, podendo estar associado a maior conscientização da população, a ampliação dos canais de denúncia e maior confiança nos mecanismos de proteção. Soma-se a isso o impacto da pandemia de COVID-19, que agravou a vulnerabilidade social e econômica da população brasileira. São dados alarmantes, que reforçam a necessidade de políticas permanentes de prevenção, fiscalização e responsabilização.
Desde 1995, cerca de 65,6 mil pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão no Brasil, resultado de mais de 8,4 mil ações de fiscalização realizadas no país até dezembro de 2024, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os setores com maior número de trabalhadores resgatados em 2024 foram Construção de edifícios (293 resgatados), Cultivo de café (214), Cultivo de cebola (194), Serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita (120), e Horticultura, exceto morango, (84).
Atualização da “Lista Suja”
De acordo com a última atualização, de outubro 2025, o Brasil tem 691 empresas na “Lista Suja”, que é o Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. A lista é publicada semestralmente para dar transparência às ações fiscais de combate ao trabalho escravo e os nomes permanecem no cadastro por dois anos. Criada em 2003, a lista é considerada uma das principais ferramentas de combate à escravidão moderna no Brasil, servindo de referência internacional.
A lista está no centro de uma crise entre auditores fiscais do trabalho e o MTE, que divergem sobre a inclusão de três empresas no cadastro oficial. Cerca de 400 auditores fiscais paralisaram as atividades, suspendendo operações de resgate desde dezembro de 2025, em protesto contra a interferência do ministério nos processos. Segundo a Agência Pública, o governo nega que haja redução das operações de resgate e afirma que a fiscalização do trabalho escravo segue ativa no Brasil.
Por Samantha Maia
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