Tecnologia e IA na Segurança Pública: Desafios e Soluções – IREE

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Tecnologia e IA na Segurança Pública: Desafios e Soluções

18 de junho de 2025

Por Gabriela Farias

O avanço tecnológico e o uso crescente de inteligência artificial (IA) na segurança pública foram temas de painéis no 2º Seminário Internacional de Segurança Pública, Direitos Humanos e Democracia, realizado entre os dias 26 e 29 de maio, em São Paulo. Especialistas de diferentes áreas discutiram as oportunidades e os riscos relacionados ao uso de ferramentas digitais, como algoritmos preditivos, inteligência de dados e aeronaves não tripuladas, destacando a importância de uma governança responsável, da qualidade das informações utilizadas e da integração entre as instituições públicas.

No painel “O uso da Inteligência Artificial como ferramenta auxiliar da inteligência de segurança pública”, os palestrantes abordaram os riscos e os cuidados necessários no uso da IA pelo setor público. Valério Mateus, General Manager de Serviços da Lenovo para América Latina, destacou que, embora a IA ofereça recursos potentes para o monitoramento e a prevenção, ela não substitui a análise e a tomada de decisão humanas. “Esses algoritmos geram alertas para que as entidades públicas avaliem e tomem as ações necessárias”, afirmou.

Diante da preocupação de que a inteligência artificial reproduza vieses e práticas discriminatórias, ele reforçou que a IA, por si só, não tem viés, mas considera a preocupação legítima. “Depende do treinamento. E por isso tanto investimento tem sido feito em regulamentações de compliance, de risco e de governança em cima dos dados e da segurança, justamente para que você elimine esse viés. Existe o risco e existe a mitigação para o risco”, completou.

Nesse contexto, Fernanda Spinardi, Head de Customer Solution da Amazon Web Services, ressaltou que a qualidade dos dados é determinante para o desempenho da inteligência artificial. “Se eu treinar o algoritmo com base no nosso comportamento, no nosso histórico, há grandes chances de que ele vá responder com base nesse histórico. Isso é um fato”, alertou.

Spinardi também defendeu que é indispensável contar com uma infraestrutura de tecnologia que permita armazenar e processar dados com segurança para que não haja manipulação do sistema de treinamento da IA.

O uso de aeronaves não tripuladas na vigilância da Amazônia e suas fronteiras

O avanço das tecnologias de vigilância para a proteção da Amazônia e de suas fronteiras também foi tema de debate no seminário. Especialistas falaram sobre como o uso de aeronaves remotamente pilotadas (ARPs) surge como uma alternativa cada vez mais viável e necessária para o monitoramento eficaz de vastas e remotas regiões.

Para o representante da General Atomics Aeronautical Systems no Brasil Gilberto Moreira Siqueira, o uso de aeronaves remotamente pilotadas (ARPs) de grande porte deve ser entendido como uma necessidade de soberania nacional, e não um luxo. “A gente olha para o mundo e observa claramente que esse tipo de sistema, de inteligência, vigilância e reconhecimento, é uma questão de soberania”, afirmou. 

Já Samir Mustafá, gerente de Desenvolvimento de Negócios da AEL Sistemas, apontou que a eficiência na utilização dessas tecnologias exige maior integração entre as forças do Estado. Ele destacou a importância do compartilhamento de meios entre as Forças Armadas e os órgãos de segurança pública, superando estruturas isoladas e pouco colaborativas. “Nós temos que aprender, como governo, como Estado, a compartilhar melhor esses meios que estão sob competência das Forças Armadas, das forças de segurança. Nós precisamos de uma maturidade, eu diria, da gestão administrativa, para poder passar desse nível de cada um ter o seu quadrado, cada um ser vertical na sua ação”, declarou.



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