16 de setembro de 2025
O Brasil viu as exportações para os EUA caírem 18,5% no primeiro mês do tarifaço em vigor. Parte das perdas, no entanto, já são compensadas pelo aumento das vendas para outros países. A China ampliou as compras de soja, enquanto a Argentina elevou a importação de automóveis. As exportações de carne bovina também cresceram para destinos como México, Argentina, Chile, China e Rússia.
A queda das vendas para os EUA não impediram que o Brasil registrasse um superávit de US$ 6,133 bilhões na balança comercial em agosto de 2025, resultado do aumento de 3,9% em relação a agosto de 2024 das exportações, que somaram US$ 29,861 bilhões, e da queda de 2% das importações, que totalizaram US$ 23,728 bilhões. No acumulado de janeiro a agosto de 2025, as exportações brasileiras alcançaram US$ 227,6 bilhões, recorde histórico para os primeiros oito meses do ano. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Considerando os produtos brasileiros que foram afetados pelo tarifaço, a queda das exportações para os Estados Unidos foi de 22,4% em agosto deste ano em relação ao mesmo mês de 2024, segundo informações da Amcham Brasil. Já entre os itens que escaparam das sobretaxas, a redução das vendas foi de 7,1% no mesmo período. Paralelamente, as exportações brasileiras cresceram de maneira significativa para destinos como a China, com alta de 31%, Argentina, 40,4%, e México, 43,82%.
Entre os itens com as maiores quedas de exportação para os EUA em agosto estão o açúcar (- 88,4%), aeronaves e partes de aeronaves (84,9%), motores e máquinas não elétricos (60,9%), carne bovina fresca (46,2%) e café (-46%). No caso deste último, parte da redução foi compensada pelo aumento da venda para outros destinos como a Colômbia, que comprou quase 600% mais no período, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
O Ministério da Fazenda estima que o tarifaço pode resultar em perda de 138 mil postos de trabalho e queda de 0,2 ponto percentual no PIB do Brasil entre agosto deste ano e dezembro de 2026. O Plano Brasil Soberano, por sua vez, teria potencial de reduzir esses efeitos pela metade: a queda do PIB iria para 0,1 ponto e a perda de empregos, para cerca de 65 mil postos.
Outra notícia que trará alívio sobre o impacto do tarifaço é que, no dia 5 de setembro, o governo dos EUA tornou livre de sobretaxa a maior parte das exportações brasileiras de celulose e de ferro-níquel. Com isso, segundo o MDIC, 25,1% do total de exportações brasileiras ao país estão livres das sobretaxas.
Por Samantha Maia
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