18 de julho de 2025
O anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a imposição de uma sobretaxa de 50% às exportações brasileiras a partir do dia 1º de agosto gerou uma série de repercussões econômicas e políticas. Na terça-feira, 15 de julho, o governo brasileiro endereçou uma carta ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, manifestando indignação ao tarifaço e reafirmando disposição para negociar uma solução “mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral”. O documento foi assinado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Alckmin tem realizado uma série de encontros com representantes da indústria e do comércio exterior para alinhar uma resposta do governo federal ao tarifaço anunciado por Trump. A Lei de Reciprocidade deve ser utilizada apenas em último caso, mas a sobretaxa anunciada já afetou alguns produtos brasileiros.
As exportações de manga para os EUA tiveram negociações suspensas nos últimos dias, enquanto a de pescados devem ser suspensas dentro de uma semana. Frigoríficos de Mato Grosso do Sul suspenderam a produção de carnes destinadas aos Estados Unidos após o anúncio da sobretaxa e os desembarques de café estão sendo acelerados para se antecipar à entrada da medida em vigor. As ações da Embraer, exportadora de aviões para os americanos, desabaram mais de 8%, empresas de calçados já começaram a receber cancelamento de pedidos e importadores de móveis pediram a produtores gaúchos que segurem os embarques.
Na quarta-feira, d16 de julho, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, destacaram a importância da defesa da soberania brasileira e manifestaram apoio à condução adotada pelo governo federal em resposta ao tarifaço de Trump, colocando o Congresso à disposição Planalto para aprovar as ações necessárias.
Investigação comercial
No dia 15 de julho, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA comunicou a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil para avaliar supostas práticas comerciais que prejudicam a competitividade de empresas americanas. A medida estava prevista no anúncio de Trump sobre o aumento de tarifa.
Entre os alvos da apuração estão políticas de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, medidas anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O documento cita “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico” oferecidos pelo Estado brasileiro, referência que tem como único alvo possível o PIX. A concorrência desse serviço de pagamento instantâneo brasileiro com bandeiras de cartões de crédito americanas pode ser o motivo da ofensiva dos EUA.
O documento também critica a “distribuição, venda e uso generalizados de produtos falsificados” e acusa a Rua 25 de Março de ser um dos maiores mercados de produtos falsificados do mundo. Segundo os EUA, a falsificação em solo brasileiro “prejudica trabalhadores americanos cujos meios de subsistência estão ligados aos setores dos Estados Unidos impulsionados pela inovação e criatividade”.
Impactos sobre a opinião pública
O movimento do presidente dos Estados Unidos é mal avaliado pelos brasileiros e tem provocado uma melhoria da avaliação da população sobre o governo Lula. Pesquisa Genial/Quaest apontou que 72% dos brasileiros acham que Trump está errado em impor tarifas de 50% sobre os produtos importados do Brasil por considerar que o ex-presidente Bolsonaro está sendo perseguido judicialmente. Para 53% dos entrevistados, o presidente Lula está certo ao “reagir com reciprocidade”. A aprovação do governo brasileiro subiu 3 pontos percentuais, para 43%, segundo a mesma pesquisa.
Por Samantha Maia
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