Surto de Dengue: Entenda o cenário – IREE

Análises e Editorial

Surto de Dengue: Entenda o cenário

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

O Brasil enfrenta um surto de dengue neste verão, com 217.841 casos prováveis da doença registrados apenas em janeiro de 2024, quase cinco vezes mais que no ano passado. Já são 15 mortes confirmadas e 149 sob investigação, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde no dia 30 de janeiro.

Estimativa da pasta, realizada em parceria com o InfoDengue, da Fiocruz, é de que o número de casos de dengue no Brasil em 2024 pode chegar a 5 milhões, com uma projeção média de 3 milhões.

A maioria dos casos está concentrada no Sul e Sudeste do Brasil, mas a situação é mais crítica no Distrito Federal, no Acre e em Minas Gerais, onde foi decretado estado de emergência por conta do número elevado de infecções por habitante.

Até o dia 30 de janeiro, Minas Gerais registrava 67.223 casos prováveis de dengue, o Distrito Federal, 29.138, e o Acre, 2.591. Outros estados que enfrentam o surto são São Paulo, com 35.410 casos prováveis da doença, Rio de Janeiro (16.054), Paraná (27.618), Santa Catarina (5.611) e Rio Grande do Sul (1.622).

Diversos fatores contribuíram para o aumento exponencial de casos. A imunidade adquirida pela infecção dura apenas cerca de três anos, e as variantes do vírus em circulação atualmente não são as predominantes no Brasil. Além disso, o calor e as chuvas intensificados pelo El Niño têm contribuído para condições favoráveis à proliferação do mosquito transmissor.

Aquisição da vacina e disputa política

A partir de fevereiro, o SUS deve começar a vacinação contra a dengue para público de 10 a 14 anos em 521 municípios com o imunizante Qdenga (TAK-003). Aprovada para comercialização no país pela Anvisa em março de 2023, a vacina foi desenvolvida pelo laboratório japonês Takeda Pharma e está disponível na rede privada desde julho do ano passado.

Em dezembro de 2023, a Qdenga foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), tornando o Brasil o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público.

Após a disponibilização da vacina na rede privada, políticos de oposição acusaram o governo federal de atrasar a vacinação, tentando equiparar a situação ao atraso da gestão Bolsonaro para a aquisição das vacinas contra a Covid-19, epidemia que tirou a vida de mais de 700 mil brasileiros.

‌O Ministério da Saúde esclareceu que a incorporação da vacina na rede pública seguiu os trâmites legais necessários, que incluem análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS (Conitec) e audiências públicas. O Brasil espera receber 6,52 milhões de doses neste ano, o que será suficiente para imunizar aproximadamente 3,2 milhões de pessoas.

‌O esquema vacinal consiste em duas doses, com um intervalo de três meses entre elas. A Qdenga demonstrou uma eficácia de 80,2% contra a dengue, com uma redução significativa nas hospitalizações.

Medidas para frear o avanço da doença

A dengue é transmitida pelo Aedes aegypti e, enquanto não há uma maior cobertura da vacinação, a melhor forma de prevenir continua a ser eliminando os criadouros do mosquito. Medidas preventivas e de combate estão sendo intensificadas pelo governos locais, incluindo campanhas de conscientização, mutirões de limpeza e fumacê e tendas de atendimento improvisadas.

A população também precisa ficar atenta para eliminar a água parada em suas casas e vizinhanças. Lavar pratos de plantas, manter caixas d’água e cisternas sempre tampadas, limpar calhas e lajes regularmente, e evitar o acúmulo de lixo e entulho, podem ajudar a reduzir a proliferação do mosquito transmissor.

Principais sintomas

A infecção por dengue pode ser assintomática ou apresentar quadro leve com sintomas como:

  • Febre acima de 38°C.
  • Dor de cabeça intensa.
  • Dores no corpo e nas articulações.
  • Sensação de fraqueza generalizada.
  • Dor atrás dos olhos.
  • Manchas vermelhas na pele.

No caso desses sintomas, recomenda-se hidratação abundante, repouso e o uso de antitérmicos. É importante salientar que alguns medicamentos devem ser evitados, como: anti-inflamatórios (ibuprofeno, ⁠aspirina, ⁠piroxicam etc) e corticoides, como prednisona, prednisolona, dexametasona e hidrocortisona.

Caso os sintomas persistam por mais de sete dias ou se você apresentar qualquer um dos seguintes sinais de alarme, é fundamental procurar assistência médica imediatamente:

  • Dor abdominal intensa e contínua.
  • Náuseas persistentes.
  • Vômitos frequentes e persistentes.
  • Sangramento de mucosas, como gengivas ou nariz.
  • Tontura ao levantar-se.


Por Samantha Maia

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