Situação da Amazônia merece atenção – IREE

Análises e Editorial

Situação da Amazônia merece atenção

3 de setembro de 2026

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 36%, para 2.874 km² — o menor nível desde o início do monitoramento do Deter, em 2016. A queda ocorre após a retomada, em 2023, de uma política federal coordenada de combate ao desmatamento, com reforço da fiscalização, do monitoramento e da proteção territorial.

Apesar da boa notícia, a região sofre o impacto do avanço da crise climática. A estação seca já está mais longa em partes da Amazônia, passando de quatro para até seis meses. O déficit hídrico aumenta o estresse das árvores e reduz a capacidade de regeneração da floresta. Esse cenário deixa a vegetação mais vulnerável ao fogo e à degradação, ameaçando a biodiversidade.

 

Em 2023 e 2024, sob impacto de um El Niño, uma seca extrema fez os rios da região amazônica atingirem os menores níveis da história. No mesmo período, as áreas queimadas aumentaram 9% e os alertas de degradação florestal, 19%. A seca provocou ainda a morte em massa de botos e peixes e contribuiu para uma temporada de incêndios recorde. A redução da navegabilidade dificultou o transporte de pessoas e mercadorias e isolou comunidades que dependem dos rios para acessar serviços essenciais.

Cientistas alertam que um novo El Niño, já em curso, deve ganhar intensidade no fim de 2026 e início de 2027. Na Amazônia Legal, a previsão é de atraso no início da estação chuvosa e temperaturas acima da média. O cenário preocupa porque a região ainda sente os efeitos da seca extrema de 2023 e 2024.

A redução do desmatamento mostra que políticas públicas de fiscalização, monitoramento e proteção territorial trazem resultados importantes. Mas a crise climática exige cada vez mais uma abordagem integrada, que combine também a gestão do fogo e a adaptação às novas condições do clima, protegendo comunidades, infraestrutura e atividades produtivas.



Por IREE

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