Silvio Almeida: Cota é ferramenta eficaz para a promoção da igualdade – IREE

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Silvio Almeida: Cota é ferramenta eficaz para a promoção da igualdade

O Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, foi o segundo entrevistado do Podcast Reconversa, em março de 2023. Na época, havia recém assumido a pasta e tratou de temas como estratégias para combater disseminação do ódio nas redes, políticas de ação afirmativa, violência do Estado e a importância do movimento negro.

Relembre essa interessante conversa que marcou o início do programa apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. Um compacto do vídeo pode ser visto aqui.

Silvio Almeida é formado em Direito e em Filosofia. Especialista em Direitos Humanos e relações raciais, é autor do livro “Racismo Estrutural”, publicado em 2019. É professor  na Universidade Mackenzie e na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, e foi professor visitante nas Universidades de Duke e de Columbia, nos Estados Unidos.

Questionado sobre aceitação das cotas para ingresso nas universidades brasileiras, o ministro enfatizou o impacto radical do modelo de ação afirmativa criado no Brasil na promoção da igualdade.

“Cota é reserva de vaga para grupos socialmente discriminados, é aquela que produz o resultado mais eficiente na hora de pensar esse tipo de inclusão. Eu nunca pergunto para a pessoa se ela é a favor da política de cotas. Pergunto se ela é a favor ou contra a igualdade.”

Todo fascismo é identitário

Silvio Almeida destacou como, apesar do identitarismo ser constante relacionado à esquerda, é o facismo que é essencialmente identitário, por se basear na afirmação de uma identidade específica que se coloca em oposição a outras consideradas ameaçadoras ou prejudiciais.

“O bolsonarismo é a versão brasileira do fascismo. Sendo assim, como todo fascismo, ele é identitário. Essa afirmação de uma identidade que se coloca em contradição com outras que são vistas como deletérias. Isso é coisa da extrema direita, e não da esquerda. A extrema direita é que é identitária.”

A violência do Estado brasileiro

O Ministro dos Direitos Humanos destacou o papel fundamental do movimento negro na resistência à violência do Estado e na construção da democracia. Segundo ele, as conquistas foram resultados de lutas e estratégias políticas desenvolvidas pelo movimento negro no enfrentamento a um Estado avesso à igualdade.

“O estado brasileiro é violentíssimo, é um estado muito infenso à democracia. Então, o movimento negro teve não só que resistir, lutar, e bater de frente, mas também compor uma série de estratégias políticas para poder sobreviver e permitir, por exemplo, que pessoas como eu chegassem onde eu cheguei”, disse Silvio Almeida.

Racismo Estrutural

Silvio Almeida explicou o conceito de racismo estrutural abordado em seu livro como um olhar para o racismo para além da vontade das pessoas, em na sua dimensão relacional. Segundo ele, o racismo estrutural fala sobre a formação não apenas de um comportamento consciente, mas até das formas do inconsciente.

“O racismo como relação social faz com que negros e brancos se mobilizem a partir da questão racial. Mesmo uma pessoa negra pode olhar para outra pessoa negra de maneira a enxergar algo diferente do que enxerga no branco. Os negros também são atravessados pela forma com que o racismo estrutura a sociedade.”



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