Sâmia Bomfim: Todo assassinato é político – IREE

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Sâmia Bomfim: Todo assassinato é político

Em entrevista ao Podcast Reconversa que foi ao ar no dia 20 de fevereiro, a Deputada Federal pelo PSOL de São Paulo Sâmia Bomfim falou sobre a perda do irmão, sua atuação na Câmara em 2023 e o papel da esquerda na política atual. 

Formada em Letras pela USP, Sâmia começou sua atuação política como militante no Movimento Estudantil. Em 2011, se filiou ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e em 2016, aos 28 anos, foi eleita a primeira vereadora da legenda na capital paulista. Em 2018, foi eleita Deputada Federal, e em 2022, assumiu seu segundo mandato no Congresso Nacional. 

Ao discorrer sobre o assassinato do médico Diego Bomfim, no Rio de Janeiro, a deputada relatou como o crime afetou a sua forma de enxergar as políticas de segurança pública.

“Agora eu vejo sob a ótica de quem é vítima da falência do modelo de Segurança Pública, porque ela me tirou algo muito importante. Não acredito que isso tenha aflorado um sentimento punitivista, porque o que aconteceu com meu irmão não vai ser resolvido assim.”

O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas agora vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.

Confira a seguir os destaques do episódio!

“Todo assassinato é político”

Sâmia Bomfim falou sobre a tragédia que se abateu sobre a sua família em outubro do ano passado, quando seu irmão, o médico Diego Bomfim, foi assassinado na Barra de Tijuca, no Rio de Janeiro. Segundo ela, a rapidez das investigações, que apontaram para a possibilidade de seu irmão ter sido morto por engano, de início lhe causaram desconfiança.

“É muita coincidência, mas o fato é que não houve novos elementos que não levasse à conclusão de que sim, foi um assassinato por engano. O processo está nas mãos do Ministério Público, em uma instância mais avançada da investigação, e provavelmente tem a ver com uma disputa entre grupos organizados do crime que tem rivalidade e uma disputa territorial, e isso, indiretamente, é também político.”

Política de Segurança Pública

Ao ser questionada se o assassinato de seu irmão mudou sua perspectiva em relação às políticas públicas, Sâmia Bomfim destacou a necessidade de se repensar o sistema de segurança, mas destacou que a solução não virá de abordagens punitivistas.

“Agora eu vejo sob a ótica de quem é vítima da falência do modelo de Segurança Pública. Mas acredito na necessidade de haver mais investimentos em investigação, ciência, tecnologia, que as polícias precisam ser equipadas nessa perspectiva pra desmontar grandes poderes, e não subir no morro pra tentar prender os supostos mandantes, porque fica muita gente pelo caminho e os principais chefes não estão no morro.”

CPI do MST

Sâmia Bomfim falou sobre sua atuação na CPI do MST e os embates com parlamentares da extrema direita que, segundo ela, buscavam criminalizar os movimentos sociais em busca de palanque eleitoral. A deputada destacou a falta de espaço para diálogo e o ambiente hostil à sua presença. 

“Eu acho que, de alguma forma, eu era uma intrusa. Porque era uma CPI para investigar supostos crimes cometidos pelo Movimento Sem Terra (MST) e eu estava ali pra dizer que a premissa da CPI já era uma grande falácia e os criminosos, na verdade, eram aqueles que estavam operando a CPI.”

Mulheres na política e políticas identitárias 

A deputada destacou a importância da participação das mulheres na política e defendeu a intersecção entre as questões vistas como identitárias e as questões econômicas.

‌”Acho que identitária pode parecer uma coisa mais superficial. Mas estou aqui defendendo que as mulheres tenham mais espaço, mais visibilidade, mais oportunidade porque eu vejo as mulheres como as principais impactadas pelos problemas econômicos, assim como a população negra.”

Papel nas eleições de 2024 e 2026

Sâmia Bomfim enfatizou a importância das eleições municipais como um indicador dos rumos políticos do país e afirmou que irá contribuir ativamente para as eleições municipais de 2024 como militante do PSOL. Em 2026, deve tentar a reeleição no Congresso Nacional.

Não me vejo tentando ter outra tarefa que não essa. Acho que ainda tenho questões a contribuir e se eu não ficar muito desanimada no caminho, eu devo seguir”, afirmou.



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