Ronaldo Caiado: Credibilidade é o que te leva ao final da reta – IREE

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Ronaldo Caiado: Credibilidade é o que te leva ao final da reta

Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 5 de dezembro, Ronaldo Caiado, Governador de Goiás, falou sobre sua origem, sua visão política a respeito de temas como a Reforma Agrária, segurança pública e a Reforma Tributária e contou seus planos para as eleições de 2026.

Ronaldo Caiado é natural de Anápolis (GO), vem de família política e é formado em medicina, com especialização em cirurgia de coluna vertebral. Filiado ao União Brasil, e identificado com a direita liberal, o governador goiano já teve embates com o bolsonarismo e tem pontos de convergência com a agenda mais progressista. Segundo ele, no entanto, seu estilo de diálogo com diversos grupos não tira seu capital político à direita, e sua intenção de ser candidato à Presidência da República em 2026 está confirmada.

“Essa é a maneira que eu sou e que, graças a Deus, deu certo. Nunca na vida tive situação que eu ficasse constrangido. Tem momentos delicados, mas você tem a consciência, vai lá, decide, acabou. A credibilidade é o que te leva ao final da reta”, disse Caiado.

Questionado sobre se daria seu voto à Flávio Dino, se ainda fosse senador, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a capacidade do atual Ministro da Justiça, me. “Convivi muito com o Flávio Dino, você pode não concordar com as posições dele, mas em termos de conhecimento, de cultura, de conteúdo, é um cidadão que tem estofo para estar no Supremo”, afirmou Caiado.

O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ar toda terça-feira, às 21h, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.

Confira a seguir os destaques do episódio!

Origem na política e visão sobre a Reforma Agrária 

Natural de Anápolis, cidade no interior de Goiás, Ronaldo Caiado contou que sua família está na política desde o Brasil Império, mas sua entrada na política se deu na época da Constituinte, quando se envolveu no debate sobre a questão agrária para se contrapor a grupos que defendiam a estatização de terras no país. Sua posição à época foi de defender a função social da terra, com a preservação do direito de propriedade.

“Ali, nós criamos a UDR, União Democrática Ruralista, e fomos debater o assunto mundialmente. Fui fazer uma revisão dos países que fizeram reforma agrária, mostrando que ela não pode ser feita no conceito de invasão, mas de leis, preservando o direito de propriedade. Agora, a função social, sem dúvida nenhuma, tem que existir.”

Enfrentamento à Covid

Caiado falou sobre o episódio no início da pandemia de Covid quando confrontou apoiadores do ex-Presidente Jair Bolsonaro que eram contrários às medidas de distanciamento social. Segundo ele, naquele momento não havia o que se discutir, e por isso não houve convergência com o governo federal.

“Eu sou um médico, governador do Estado no momento em que não sabíamos o que ia acontecer. Como contemporizar algo para a não progressão de um vírus que ninguém consegue controlar? Só tem uma maneira antes de você ter a vacina, que é o isolamento. Fui o primeiro governador a baixar o decreto de isolamento. Isso foi numa sexta-feira. No domingo pela manhã, estava no Palácio, vejo aquele barulho do lado de fora, de gente dizendo que não ia cumprir o decreto. Imediatamente mandei que dispersassem.”

Futuro na política 

Questionado sobre a possibilidade de perda de capital político ao se contrapor ao bolsonarismo, Caiado disse que o eleitor sabe distinguir quem age por convicção ou por oportunismo e outros interesses, e que ele não agiu ali com segundas intenções. Hoje, no entanto, Caiado já admite que gostaria de concorrer à Presidência nas próximas eleições e que não teme virar alvo dos bolsonaristas.

“Eu cheguei em um momento da minha vida em que eu vou buscar junto ao meu partido a condição de poder estar
entre os pretensos candidatos a Presidente da República mesmo, eu não tenho dúvida. Mas isso não é só a intenção do Ronaldo Caiado, é a construção de um processo político, partidário, dentro de articulações em que você não pode passar o carro na frente dos bois.”

Segurança Pública 

Caiado destacou a segurança pública como uma das áreas que gostaria de debater em nível nacional. Segundo ele, a presença e influência das facções criminosas colocam em questão o Estado Democrático de Direito no Brasil.

“Hoje a gente tem que interrogar: nós vivemos em um Estado Democrático de Direito no Brasil? Como é um Estado Democrático de Direito se eu tenho um Estado constituído e o Estado das facções? Qual é o tamanho dele hoje no Brasil? Ele é maior ou menor, ele é mais poderoso ou menos poderoso? E o cidadão fica totalmente enclausurado porque as autoridades se acovardaram diante do poder de retaliação, de agressão, de ameaças e de poder financeiro dessas facções.”

Reforma Tributária

Caiado criticou fortemente a Reforma Tributária, que, segundo ele, trará enormes consequências negativas para o país, abrindo mão de um potencial de crescimento. Para o governador goiano, não faz sentido ter um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) nacional sem considerar as disparidades regionais, e citou o exemplo dos Estados Unidos, onde cada estado tem seu imposto. 

“Vai ser uma inversão completa. Isso vai tirar do túmulo Juscelino Kubitschek e Ulysses Guimarães. Juscelino Kubitschek fez Brasília no meio de um cerrado e levou o desenvolvimento que hoje é a salvação do Brasil. Ulysses Guimarães criou a regionalização para ter incentivos em algumas regiões em desenvolvimento. Tudo isso vai ser cassado e vai ser concentrado só em regiões que já estão sobrecarregadas e com um potencial já quase que esgotado em termos de crescimento.”



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