29 de janeiro de 2025
O Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, foi o primeiro entrevistado da temporada 2025 do Podcast Reconversa, no ar em 28 de janeiro. Neves falou sobre os desafios da gestão municipal, a influência da ideologia na administração, a crise da democracia liberal e os entraves da segurança pública no Brasil.
Nascido em Niterói (RJ), Rodrigo Neves teve a formação influenciada pela família: o pai, engenheiro e professor de matemática, e a mãe, professora atuante no Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) nos anos 60. Sua trajetória política começou na Pastoral Social da Igreja Católica e na União Niteroiense de Estudantes Secundaristas (UNES).
Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), foi eleito o vereador mais jovem e mais votado de Niterói. Cumpriu dois mandatos como deputado estadual e chegou à liderança da bancada do PT aos 29 anos. Atualmente, exerce o terceiro mandato como prefeito da cidade.
O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.
Confira a seguir os destaques do episódio!
Ideologização na gestão municipal
Em relação à influência da ideologia na administração municipal, Rodrigo Neves defende que a gestão deve ser avaliada pela competência e não pela filiação política. Ele afirma que recebeu votos de diferentes espectros e que há bons e maus gestores em todos os lados.
“O buraco da rua, o lixo, a lâmpada apagada, não são de direita, nem de esquerda, e o prefeito tem que ser o síndico de todos. Agora você tem ali 15%, da extrema direita que não tem jeito. Para algumas pessoas, o componente ideológico prevalece sobre o bom senso.”
Os obstáculos na política do Rio de Janeiro
Questionado sobre a dificuldade de prefeitos bem avaliados migrarem para cargos estaduais, Rodrigo aponta que o Rio de Janeiro tem desafios específicos. Ele menciona a dependência dos royalties do petróleo, o esvaziamento econômico e os problemas estruturais do estado.
“Eu acho que o Rio tem alguns componentes muito específicos. O Rio é um estudo de caso muito exemplar, porque qual é o Estado que o governador, com os problemas de segurança pública, os índices educacionais sofríveis que o Rio tinha, ganharia no primeiro turno?”
Crise global da democracia e ascensão autoritária
Rodrigo avalia que a crise da democracia liberal não é exclusiva do Brasil, mas um fenômeno global impulsionado por instabilidades econômicas e pelo impacto das redes sociais na formação da opinião pública. Além disso, ele critica lideranças autoritárias que questionam eleições apenas quando são derrotadas.
“A regra agora é a instabilidade. A gente vive um momento onde as pessoas formam a sua opinião sobre a realidade com base nas frações das informações que são recebidas no WhatsApp. Então, eu não tenho dúvida que a democracia liberal ainda vai conviver durante muito tempo com dificuldades.”
Os desafios da segurança pública no Brasil
Rodrigo aponta que a segurança pública se tornou um dos maiores desafios do Brasil e critica a falta de uma estratégia clara do campo progressista para lidar com o tema. Ele destaca a complexidade do problema, a necessidade de um envolvimento maior do governo federal e defende a criação de um Ministério da Segurança Pública.
“Segurança é uma política multidimensional. O presidente Lula acerta quando faz a proposta da PEC da Segurança, mas ela é insuficiente. Eu não tenho dúvida que nós tínhamos que ter o Ministério da Segurança Pública no Brasil. Sem segurança e com cidades violentas, você não tem apropriação do espaço público pelo cidadão. O cidadão não vai numa praça, num teatro, ele não vai a um espaço público se ele não tiver a garantia de ir e vir com tranquilidade.”
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