Rio Grande do Sul enfrenta pior desastre climático – IREE

Análises e Editorial

Rio Grande do Sul enfrenta pior desastre climático

Por Juliana Pithon e Samantha Maia

Enquanto cidades do Rio Grande do Sul ainda se recuperam dos estragos causados por temporais em 2023, o estado é novamente atingido por um volume de chuva três vezes superior à média esperada para o período.

O Vale do Taquari, severamente afetado pelos recentes temporais, é a mesma região que sofreu com o ciclone e as subsequentes enchentes no ano passado. A cidade de Canudos do Vale está completamente isolada, sem energia, telefone ou internet, e as pontes de acesso foram destruídas.

‌Moradores próximos aos rios Taquari e dos Sinos foram alertados para evacuar a região, e há um risco de ruptura na represa de Caxias, um dos principais pólos econômicos do estado.

‌Até o dia 3 de maio, foram registradas 31 mortes e 74 pessoas estavam desaparecidas. Segundo a Defesa Civil, 235 cidades foram atingidas, com 7.165 pessoas em abrigos, 17.087 desalojados, 351.639 afetados e 56 feridos. Há 120 trechos de rodovias interditados e as aulas na rede pública estadual foram suspensas.

As chuvas podem durar até domingo e afetar principalmente a região de Santa Maria e os vales dos rios Taquari, Caí e Pardo. São esperados acumulados de até 400 milímetros, somando-se aos mais de 300 milímetros já registrados.

‌Segundo meteorologistas, as chuvas foram intensificadas na região por uma soma de fatores que incluem um corredor de umidade proveniente da Amazônia, uma corrente intensa de vento no Rio Grande do Sul e um bloqueio atmosférico causado por uma onda de calor que concentra as chuvas nos extremos do país. Tudo sob a influência do El Niño e das mudanças climáticas.

‌‌O governo estadual decretou estado de calamidade pública no Rio Grande do Sul e recomendou que as pessoas saiam das localidades de risco enquanto é tempo. A prioridade é o resgate de vítimas, mas há dificuldade de acesso aos locais por conta da continuidade das chuvas.

‌As Forças Armadas estão envolvidas no apoio às operações de resgate e assistência com 335 militares, 12 embarcações, cinco helicópteros e 43 viaturas. O governo federal prometeu disponibilizar recursos e manterá um representante no Estado para dar resposta rápida para a crise.



Por Juliana Pithon

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