Retomada das empresas durante a pandemia foi tema de debate – IREE

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Retomada das empresas durante a pandemia foi tema de debate

No dia 23 de julho foi realizado um IREE Webinar sobre como as empresas têm lidado com a retomada, ainda que gradual, das atividades durante o período de pandemia. Quais são os resultados obtidos com as medidas de prevenção até o momento e quais os cuidados necessários para uma retomada.

O debate contou com a participação do médico pediatra André Alexandre Osmo, Consultor Senior da Superintendência de Novos Negócios e Consultoria do Hospital Sírio Libanês, da médica Ana Lucia de Castro Rizzi, Superintendente Médica na Qualicorp, e dos advogados Leandro dos Santos Campos, Head of Legal da Huntsman Corporation e Rafael Pagliuso de Andrade, Vice President, General Counsel – Emerson Latin America.

A mediação foi realizada por Renato Polillo, Diretor do IREE, e por Ricardo Cavallo, Diretor Jurídico, Governamental e de Compliance da BJL Participações.

Confira abaixo os principais momentos do debate e assista ao vídeo completo do webinar!

Polillo agradeceu a participação de todos e destacou que apesar do evento falar da retomada, sabe-se que é algo que levar tempo e que requer muito cuidado.

“As pessoas ainda estão aprendendo a lidar com a nova situação. É importante saber se as precauções tomadas até agora são suficientes ou se é preciso mais orientação.”

Cavallo destacou a importância de debates como aquele como forma de compartilhar conhecimento e experiências.

“O intuito é democratizar o conhecimento. Ouvir profissionais de diferentes áreas sobre suas experiências, suas expectativas, e seus conselhos para as empresas sobre a retomada.”

Segundo a médica Ana Lucia, que acompanha a realidade de diversas empresas, atualmente todas estão focadas na gestão do retorno aos trabalhos, e muitas dúvidas surgem nesse processo. Dentre as dúvidas mais comuns estão como selecionar as pessoas que voltam trabalhar presencialmente, como dividir o ambiente físico para organizar e manter o distanciamento social, que equipamentos disponibilizar para os profissionais, se é necessário deixar as janelas dos escritórios abertas para ventilação e que tipo de testes é preciso fazer para garantir a segurança dos profissionais.

“Nosso levantamento mostra que todas as empresas estão em uma fase de planejamento e organização para a retomada, mas a grande maioria, 70%, não sabe ainda a data. O que falam é sobre uma retomada parcial e gradativa para o ambiente de trabalho.”

O médico André Osmo, que trabalha com orientação na aplicação de protocolos de mitigação de riscos de contaminação pela COVID-19, diz que ainda há muitas dúvidas por se tratar de uma doença muito recente. As dúvidas estão relacionadas a quando teremos vacina – segundo ele não antes de ao menos um ano -, a quantas pessoas terão que ser vacinas para garantir imunidade na sociedade, e quando teremos medicamento com eficiência comprada.

No entanto, Osmo destaca que é possível ter algumas certezas, como a de que a prevenção fundamental continua baseada no distanciamento, no uso de máscaras e na higienização das mãos. E de que a cloroquina não funciona contra a COVID-19.

“Em mais de 95% das vezes o vírus da COVID-19 é transmitido por meio de gotículas do espirro, da tosse, do ato de falar muito alto, de dar gargalhadas. O ideal é ficar a 2 metros de distância e com máscara, e lavar as mãos com frequência. E como fazer em ambiente de trabalho? Todo mundo de máscara e com distanciamento.”

Em relação ao ar condicionado, ele diz que as principais orientações são promover o maior número de trocas com o ar externo, fazendo com que haja uma renovação do ar, além da troca frequente de filtros de limpeza.

Leandro Campos falou sobre a responsabilidade que é tomar decisões nesse momento, por não existirem opções fáceis ou 100% seguras. Segundo ele, a opção da Huntsman Corporation de permitir o isolamento social de funcionários sem reduzir jornadas de trabalho e os salários se mostrou acertada pois gerou engajamento das pessoas. Por outro lado, foram feitos esforços para garantir o mínimo de sanidade da situação financeira da empresa.

“Não adotar medidas como redução da jornada de trabalho e de salário teve como efeito positivo o engajamento dos funcionários. O home office, que antes era visto com receio, foi amplamente utilizado e difundido, e para quem ainda assim precisava ir, demos alternativas para que ficasse confortável. A testagem foi muito utilizada.”

Segundo Rafael Andrade, a retomada de operações tem que ser feita com muito cuidado e atenção. Apesar de terem sido pontuais e breves os casos de fábricas da Emerson Latin America fechadas durante a pandemia, a percepção é que a retomada será muito devagar.

“Mesmo com a retomada, o medo gera redução no consumo, que causa o fechamento de comércios. A retomada vai exigir um intenso apoio do Estado do ponto de vista econômico e as empresas precisam escutar os médicos e cuidar dos seus empregados.”

Assista!



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