24 de abril de 2026
Como você se informa sobre política? A resposta para essa pergunta tem mudado nos últimos anos, uma transformação que ajuda a entender não só o consumo de notícias, mas também a forma como opiniões são formadas e disputas políticas se desenrolam.
Um dos principais vetores dessa mudança está nas redes sociais. Segundo o Instituto Reuters para o Estudo de Jornalismo, cerca de 39% dos jovens entre 18 e 24 anos no mundo já utilizam as plataformas digitais como principal fonte de notícias, superando televisão, jornais impressos e até sites. Trata-se de uma geração que migrou de forma decisiva para ambientes audiovisuais, passando a se informar majoritariamente por meio de TikTok, Instagram e YouTube.
Nesses espaços, o consumo deixa de ser mediado por veículos jornalísticos e passa a ser influenciado por criadores individuais, formatos curtos e dinâmicas de engajamento.
Mas essa não é apenas uma mudança geracional. No Brasil, o digital avança de forma consistente em toda a população, embora ainda conviva com os meios tradicionais em um modelo híbrido de consumo de informação.
Segundo pesquisa Quaest divulgada em janeiro de 2026, pela primeira vez as redes sociais superaram a televisão como principal fonte de informação política: 39% dos brasileiros dizem se informar pelas plataformas digitais, frente a 34% pela TV. Até então, os dois meios apareciam empatados ou com leve vantagem da televisão.
Já uma pesquisa Datafolha realizada em março de 2026 mostra que a TV ainda é o principal meio utilizado pela população brasileira para se informar sobre política: 58% dos entrevistados citaram a televisão, enquanto 54% mencionaram as redes sociais.
O levantamento também analisou o comportamento dos eleitores de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Entre os eleitores de Bolsonaro, as redes sociais já aparecem em primeiro lugar, com 61%. Entre os eleitores de Lula, esse índice é de 47%.
Impacto sobre a informação
O formato das redes impõe limites e riscos para a informação. Temas políticos, muitas vezes complexos, são condensados em vídeos curtos, com forte apelo emocional e pouco espaço para aprofundamento, contexto ou contraditório. Essa dinâmica é moldada por algoritmos que priorizam conteúdos capazes de gerar reação imediata através do medo, da indignação ou da raiva, por exemplo.
Nesse ambiente, a desinformação ganha terreno. O Fórum Econômico Mundial tem apontado o fenômeno como um dos principais riscos globais no curto prazo, destacando seu potencial de impactar eleições e amplificar crises econômicas, sociais e ambientais.
Os efeitos são especialmente sensíveis em períodos eleitorais, quando bots, deepfakes, vídeos editados e campanhas de desinformação tendem a se espalhar rapidamente, especialmente em redes com baixa moderação.
Diante disso, cresce a pressão por respostas institucionais. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem ampliado regras para enfrentar o problema. Entre as medidas recentes, com foco nas eleições de 2026, estão a exigência de identificação de conteúdos produzidos com inteligência artificial e restrições à circulação desse tipo de material em momentos críticos do processo eleitoral.
O objetivo é preservar a integridade da disputa democrática em um ambiente informacional cada vez mais complexo.
Se a forma de se informar mudou, também mudam os desafios para garantir qualidade, diversidade e confiabilidade no debate público. Entender esse novo cenário é parte essencial de qualquer discussão sobre política na atualidade.
Por IREE
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