Raul Jungmann responde: As Forças Armadas do Brasil são golpistas? – IREE

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Raul Jungmann responde: As Forças Armadas do Brasil são golpistas?

Em entrevista ao Podcast Reconversa que foi ao ar no dia 27 de fevereiro, o ex-Ministro Raul Jungmann analisou as relações entre os poderes civil e militar, comentou as investigações sobre uma possível trama golpista envolvendo militares e defendeu a necessidade de regulamentação das forças armadas.

Raul Jungmann contou como sua consciência política se forjou no combate à ditadura militar, quando ainda era estudante e militava no PCB. Sua vida pública começou em 1990, como secretário de Planejamento de Pernambuco. Migrou para a política federal no governo Itamar Franco, ao assumir a Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, e ajudou a fundar do PPS em 1992.

No governo FHC, presidiu o Ibama (1995-1996), o Incra (1996-1999) e foi ministro de Política Fundiária (1999-2002). Foi deputado federal por três mandatos, entre 2003 e 2016. No governo Temer, foi Ministro da Defesa (2016-2018) e da Segurança Pública (2018). Desde 2020, é Presidente-Executivo da IREE Defesa & Segurança.

Raul Jungmann defendeu as Forças Armadas como instituição democrática e destacou a surpresa diante da infiltração de militares nos atos sob investigação na Operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal.

“Passei quatro anos fazendo a defesa da higidez democrática dos militares, participando de debates, escrevendo, dizendo que não tinha um golpe. Confesso que depois do 8 de janeiro eu fiquei surpreso com o que eu chamei de infiltração. Aqueles que foram absorvidos pelo governo, a partir do projeto do próprio presidente, se contaminaram e começaram a articular por baixo do próprio alto comando. E ao mesmo tempo existiu a minoria da minoria dentro do alto comando, que estava imbuída desse processo”, afirmou.

O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas agora vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.

Confira a seguir os destaques do episódio!

A greve dos caminhoneiros: antessala do governo Bolsonaro 

Raul Jungmann falou sobre a tensão de enfrentar a greve dos caminhoneiros à frente do Ministério da Defesa em maio de 2018. Segundo ele, era uma crise produzida inteiramente pela via digital e que contava com o apoio dos empresários. “De certa forma, era a antessala do que viria depois com o governo Bolsonaro”, disse o ex-ministro.

“Tínhamos um comitê reunido permanentemente, Forças Armadas, Polícia Federal, Justiça, AGU, todos os ministros reunidos o tempo todo, mais o Presidente. Eu olhei para o mapa, era uma coisa incrível. Todos os pontos estratégicos, de transporte, de combustível, de medicamento, de saúde, de suprimentos estavam bloqueados no país. Eu disse, nós vamos colapsar.”

A saída, contou Jungmann, foi o Presidente Temer anunciar que tinha um acordo, ainda sem ter nada firmado. “O acordo não estava fechado, mas ao dizê-lo, a coisa começou a descer.”

Papel das Forças Armadas

Raul Jungmann defendeu a regulamentação das funções das Forças Armadas na Constituição. Segundo ele, as elites brasileiras, políticas e empresariais, não sabem o que fazer, nem o que propor para as Forças Armadas, que acaba por se fechar sobre si própria.

“Eu tenho vários grupos de direita, de esquerda, democratas, e a única coisa que eu ouço é bater nas Forças Armadas, mas nunca vi ninguém propor nada para elas. Os partidos políticos não têm proposta. E como é que o Congresso não se debruça sobre a defesa e segurança nacional?”

Militares na política

Jungmann defendeu emenda à Constituição (PEC) 42/2023, que dificulta candidaturas de militares nas eleições e afirmou ser absurda a situação de militares participando de governo.

“O que acontece quando alguém se candidata dentro de uma corporação de Estado? Onde é que ele vai buscar voto em primeiro lugar? Ele vai buscar dentro da corporação, vai fazer política dentro da corporação. É um órgão de Estado, não pode ter isso.”



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