Randolfe Rodrigues: Chegamos no limite da pós-verdade – IREE

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Randolfe Rodrigues: Chegamos no limite da pós-verdade

Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 23 de abril, o Líder governista no Congresso Nacional e Senador Randolfe Rodrigues (Sem Partido-AP), falou sobre como vê a ascensão do fundamentalismo da extrema direita, as estratégias para a próxima eleição e a correlação de forças no Congresso, entre outros assuntos.

Rodrigues, cujo nome completo é Randolph Frederich Rodrigues Alves, nasceu em Garanhuns, Pernambuco. Aos oito anos, mudou-se para o Amapá com os pais em um movimento migratório dos anos 1970 relacionado à construção da rodovia Transamazônica.

Filho de sindicalista e um dos fundadores do PT no Amapá, Randolfe Rodrigues foi fortemente influenciado pelas lutas sociais começando pelas comunidades eclesiais de base. Participou do movimento estudantil secundarista e universitário, foi secretário de juventude do governo do Amapá e Deputado Estadual.

Na entrevista ao Reconversa, o senador falou sobre como vê o futuro do Brasil e manifestou preocupação com a negação da realidade presente na sociedade. Segundo ele, nós chegamos ao limite da chamada pós-verdade, movimento impulsionado pelas redes sociais e a extrema direita.

“Eu compreendo que hoje no mundo nós vivemos uma ascensão de fundamentalismos fascistas mais organizados e mais ameaçadores ao Estado de Direito, aos pilares da democracia liberal e à civilização do que aquele do início do século XX, com o nazismo, franquismo, salazarismo. Eles não tinham a tecnologia da informação que tem hoje, nem se apossado de alguns setores com teorias como a religião do domínio, como hoje.”

O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.

Confira a seguir os destaques do episódio!

Ameaça à democracia

Randolfe Rodrigues disse que a grande batalha para 2026 será conter o avanço da extrema-direita no Congresso, e afirmou que Se não fosse a figura do Presidente Lula, um golpe teria sido consolidado em 2022.

“Eu não tenho dúvida que se não tivesse ocorrido a eleição de 2022, o Estado de Direito já estaria rompido e definitivo. Nós já teríamos uma Emenda Constitucional aprovada ampliando a Suprema Corte para 15, alguns ministros do Supremo Tribunal Federal intimados e o Congresso dominado e organizado.”

Correlação de forças no Congresso

Para Randolfe Rodrigues, não há correlação de forças necessárias no Congresso hoje para se avançar nas pautas identitárias, e que sobreviver ao fascismo demanda um foco na consolidação democrática como uma base para futuros avanços em outras áreas.

“A nossa meta é universalizar a educação, colocar a escola em tempo integral em todo o Brasil, melhorar o ensino técnico profissionalizante, consolidar as bases do nosso sistema público de saúde, e junto com isso, consolidar a irreversibilidade da alternância democrática com respeito à tripartição dos poderes.”

O cenário do Senado brasileiro

O senador do Amapá destacou que o Senado brasileiro é um reflexo do Congresso, marcado por disputas acirradas e um equilíbrio de poder delicado. Para ele, a estreita vitória de Pacheco sobre as forças bolsonaristas ilustra as tensões presentes e, dado o atual desequilíbrio de poder, é crucial escolher cuidadosamente as batalhas a serem travadas.

“No Senado, nós apoiamos e votamos em Rodrigo Pacheco contra as forças bolsonaristas. A vitória foi por 48 votos, ou seja, sequer tivemos margem constitucional para consolidar a vitória. O Presidente Pacheco tem que governar nessas condições.”

Segurança Pública e o governo Lula

Randolfe Rodrigues criticou abordagens generalistas da esquerda sobre a segurança pública por não focarem na realidade diária das populações mais vulneráveis. Segundo Rodrigues, a resposta ao desafio da Segurança Pública deve ser um sistema de segurança robusto, com polícias bem equipadas e armadas.

“A esquerda cometeu um erro em não debater Segurança Pública. Se você não entende o que o povo está sentindo, você está no lugar errado. Eu estou falando daquele brasileiro que mora nas periferias, nos bairros mais afastados, aquele que vive no Rio de Janeiro sob ameaça de milícia ou tráfico de drogas, aquele que vive no Macapá sob ameaça das facções, e qual é a resposta pra isso? tem que ter sistema de segurança, polícia equipada e polícia armada.”



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