25 de novembro de 2024
A convergência mundial sobre a importância de ações urgentes contra as mudanças climáticas ainda não tem se mostrado suficiente para viabilizar o financiamento de iniciativas para a preservação do meio ambiente. A 29ª conferência do clima da ONU, realizada em Baku, no Azerbaijão, terminou com um acordo muito aquém do que é considerado necessário para o mundo lidar com o problema.
Depois de uma intensa negociação que se estendeu mais de um dia além do último dia do evento, a meta de financiamento climático foi atualizada para US$ 300 bilhões, valor a ser pago pelo países ricos por ano até 2035. O resultado frustrou países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, que pleiteavam US$ 1,3 trilhão, e atendeu ao que os países ricos queriam.
O prazo dado para que o valor aumente também foi considerado muito longo, além do texto determinar que o financiamento virá de recursos públicos e privados, o que pode levar a uma diluição das fontes e responsabilidades. Brasil, África do Sul, Índia e China queriam que fossem integralmente públicos.
A queda de braço também se mostra em outras negociações. A COP16 da Biodiversidade, realizada de 21 de outubro a 1º de novembro de 2024, na Colômbia, terminou sem acordo sobre o financiamento de ações ambientais para garantir a meta de preservar 30% de áreas naturais até 2030. A proposta de um fundo dedicado à biodiversidade foi rejeitada por União Europeia, Canadá, Suíça e Japão.
O tema do meio ambiente também foi tratado no G20, e a declaração final da cúpula alcançou consenso sobre clima e sustentabilidade, com o compromisso conjunto para enfrentamento dos desafios climáticos, menção ao fim do desmatamento e ao aumento de ambição no financiamento das iniciativas. No entanto, frustrou a expectativa de trazer uma resolução mais concreta sobre a destinação de recursos ao projetos ambientais.
Segundo Simon Stiell, Chefe da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (Unfccc), o quadro ao final da COP29 é preocupante e deixa bastante trabalho até a conferência do ano que vem em Belém. “As muitas outras questões que precisamos progredir podem não ser manchetes, mas significam vida ou morte para bilhões de pessoas. Então, este não é o momento para comemorar vitória, precisamos definir nossas metas e redobrar nossos esforços na estrada para Belém (COP30)”, afirmou Stiell para a imprensa.
Por Samantha Maia
Leia também
Situação da Amazônia merece atenção
Continue lendo...
Venezuela, Japão e Colômbia sob o impacto de terremotos
Continue lendo...