17 de março de 2026
O avanço das redes sociais transformou a forma como momentos da vida privada são compartilhados e, com isso, cresce o debate sobre os limites da exposição de crianças na internet e os impactos dessa prática no presente e no futuro.
Um dos conceitos centrais dessa discussão é o sharenting, termo que combina as palavras “share” (compartilhar) e “parenting” (parentalidade). Ele descreve o comportamento de pais ou responsáveis que publicam rotineiramente fotos, vídeos e informações sobre a vida dos filhos nas redes sociais. Ao compartilhar conteúdos sobre crianças, muitas vezes são divulgadas informações pessoais que permanecem disponíveis por tempo indeterminado na internet.
Além da questão da privacidade, especialistas alertam para riscos relacionados à segurança. A exposição pode facilitar o uso indevido de imagens, a coleta de dados sobre a rotina e até a identificação de locais frequentados. Os impactos também não se limitam ao presente. Conteúdos publicados na infância podem reaparecer anos depois, influenciando a forma como aquela pessoa será percebida no futuro.
A discussão ganhou ainda mais relevância com o agravamento de crimes no ambiente digital. Relatório da SaferNet Brasil aponta o aumento da violência sexual contra crianças e adolescentes na internet. O documento também destaca novos desafios, como o uso de inteligência artificial generativa para manipular imagens ou criar conteúdos sintéticos de abuso infantil.
Nesse contexto, a proteção de crianças no ambiente digital passa a ser entendida como uma responsabilidade compartilhada. O tema envolve não apenas o comportamento de famílias no compartilhamento de conteúdos, mas também políticas de segurança por parte das plataformas e medidas no campo da legislação e da educação digital.
Um dos avanços legais recentes foi a aprovação, em setembro de 2025, do ECA Digital, que entra em vigor em março deste ano. A nova lei determina que as plataformas digitais, redes sociais, aplicativos e jogos assumam responsabilidades pela segurança online das crianças, adotando medidas para prevenir abusos, exposição indevida e violações de direitos. Espera-se que sua implementação reduza riscos e fortaleça a proteção dos direitos das novas gerações.
Por IREE
Leia também
O que significa ser um Estado laico
Continue lendo...
A ONU e a crise do multilateralismo
Continue lendo...