5 de janeiro de 2026
Ora ora… Mais um ano! Ou, para os pessimistas, menos um. Como costuma acontecer, resolvi fazer uma retrospectiva dos melhores momentos de 2025.
-Jair Bolsonaro foi preso.
É o suficiente. Só falta agora ele ser preso de novo pelas mortes durante a pandemia.
Mas ano novo é época de previsões, e é hora de checar as do ano passado:
-Um grande apresentador de TV iria morrer – confere.
-Haveria um terremoto – confere.
-Haveria uma inundação – confere.
-Um grande cantor e uma grande cantora iriam morrer – confere.
-Um grande ator e uma grande atriz iriam morrer – confere.
-O dólar seria um excelente investimento – falhou.
-O desemprego iria subir – falhou.
-A Bolsa iria cair – falhou.
-O Brasil iria virar uma Venezuela – falhou.
É, parece que o Walter Mercado acerta mais que o Mercado (alguém lembra do Walter, o “Ligue Djá”? E alguém leva a sério o nosso Mercado?). Mas a Veja, após um ano inteiro de crescimento da bolsa, diz que esta subiu por causa do fator Flavio Bolsonaro candidato… Daqui mandamos os nossos mais sinceros parabéns à vetusta instituição, pelo destemor com que divulga as coisas mais estúpidas.
E falando em imprensa, tivemos evidências que Moro teria chantageado juízes pegos no flagra no exercício do, como diria o falecido filósofo Carlos Imperial, coxivirilhianismo. Coisa séria, e Sóstenes, o probo, foi pego com quase 500 mil em casa. Disse ser resultado de uma venda de imóvel, e provou – mostrando um recibo de COMPRA de imóveis. Com tudo isso na mão, a grande imprensa resolveu se manifestar – tentando desmoralizar Xandão de todas as formas.
A jornalista Malu Gaspar – que escreveu um livro pró Lava-Jato – e que foi chamada de mentirosa, ao vivo, por ninguém menos que Pablo Marçal – (alô, produção, pode colocar dois apostos seguidos, e depois ainda por cima usar parênteses?) – nos conta que Moraes interferiu no caso Banco Master. Tinha seis fontes! Ora, fonte, para qualquer jornalista, é coisa sagrada. Mas o/a profissional precisa checar muito bem, se é uma fonte seca, molhada, fonte de dor de cabeça… E parece que checou, pois em seguida deu uma tirada de pé do acelerador e disse que Xandão não tentou interferir, não. Ou algo assim. Vamos acompanhar…
O bom Merval resolveu inovar: afirmou urbi et orbi que Xandão teria que provar sua inocência! Isso impressiona, um jornalista com alma de jurista. Em apenas uma frase, revoluciona todo o direito mundial, invertendo o ônus da prova. Outros colunistas ficam em cima do muro, mas a maioria defende a excelente Malu – alguns, inclusive, afirmam que ela foi atacada por ser mulher. Bem, os ataques que vi foram todos profissionais, nenhum misógino. Se houve algum, claro, é inadmissível. Mas não poder criticar uma jornalista mulher por ela ser deste sexo é o mesmo que não poder criticar Israel por causa do Holocausto.
Falando em Holocausto…
Na Alemanha dos anos 30, soldados das SA (não confundir com as SS, mais famosas), andavam pelas ruas perseguindo judeus. No início, mascarados, depois liberou geral. Pois agora vemos agentes da ICE americana fazendo rigorosamente o mesmo. Basta ser um pouquinho mais moreno que eles pegam. Os presidentes americanos até deportaram mais estrangeiros que o Laranjão, mas dentro da lei. Havia regras. Hoje, o sujeito está arriscado a ir à Disney e parar numa prisão em El Salvador. Não bastasse isso, o bravo presidente deles resolveu que precisava de mais petróleo, e sequestrou Maduro, para ele ser julgado nos EUA. Ora, qualquer um que tenha visto uma série policial americana, sabe que não pode sair prendendo assim: se a polícia parar um carro com 100 quilos de dinamite e 200 quilos de cocaína, sem ter tido uma causa provável para a vistoria, o dono do carro sai livre. No entanto, invadir um país estrangeiro, sequestrar seu líder e a esposa, e levar para ser julgado nos EUA, aparentemente não passa por nenhum problema legal. Legal.
No rádio, um professor de Direito Internacional de uma universidade católica diz que ele será julgado. Se não houver provas, sai livre. Escoltado pelo Papai Noel e pelo Coelho da Páscoa.
Tudo muito bem, tudo muito bom, mas já acharam um culpado aqui no Brasil: Lula. Ele não defendeu Maduro, ele fez um acordo para entregá-lo desde que retirassem a Magnitsky, ele não deu uma resposta dura o suficiente, ele foi duro demais…
Encontrei José Maria da Silva Paranhos Jr, o Barão do Rio Branco, na feira livre da minha rua. Ele carregava uma bolsa pesada, me ofereci para carregá-la. Não pude deixar de perguntar sobre o imbróglio atual.
-Meu rapaz, para isso serve a diplomacia. Fosse no governo anterior, haveria banda de música nas fronteiras esperando nossa vez de sermos invadidos. No atual, haverá muita conversa, reclamações, protestos, e muita reza.
-Reza?
-Sim, não temos como deter um avanço dessas criaturas. Poderíamos pensar: e se tivéssemos uma bomba atômica, como a Coreia do Norte? Ninguém nos invadiria. Mas já imaginou Bolsonaro com o botão vermelho na mão?
Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.
Ricardo Dias
Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.
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