15 de abril de 2026
O presidente Lula da Silva encaminhou ao Congresso, no dia 14 de abril, um projeto de lei que prevê o fim da escala 6×1. A proposta, que reduz a jornada para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado sem corte de salários, foi enviada com pedido de urgência constitucional para acelerar a tramitação.
A escala 6×1, modelo de jornada em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa apenas um, tem se tornado um dos principais pontos de debate sobre as condições de trabalho no Brasil. Em geral, ela é organizada de forma a respeitar os limites previstos na Constituição: máximo de 44 horas semanais, até 8 horas diárias e ao menos um dia de descanso por semana.
Esse tipo de jornada está concentrado sobretudo em setores que demandam funcionamento contínuo, inclusive aos fins de semana e feriados. É o caso de lojas, supermercados, farmácias, bares e restaurantes, além de áreas como segurança, telemarketing, limpeza e transporte.
Os dados indicam que a escala 6×1 concentra trabalhadores de menor renda e menor escolaridade. No comércio e nos serviços, por exemplo, 82% dos trabalhadores submetidos a esse regime recebem menos de dois salários mínimos, segundo levantamento da Lagom Data para a revista CartaCapital. Além disso, trabalhadores com jornada de 44 horas semanais recebem, em média, apenas 42,3% da remuneração mensal de quem trabalha 40 horas, segundo estudo do Ipea.
Especialistas destacam que a escala 6×1 afeta a saúde do trabalhador devido à falta de descanso adequado e à recorrente exigência de horas extras. Entre os sintomas comuns associados ao excesso de trabalho estão cansaço, desânimo, alterações cognitivas, problemas cardiovasculares, lesões musculoesqueléticas e fadiga crônica.
No campo da saúde mental, os números também chamam atenção. O Brasil registrou 534 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, o maior número da série histórica. Dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho indicam ainda que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com burnout.
Diante desse cenário, crescem os argumentos em defesa do fim da escala 6×1. Entre eles, estão a possibilidade de reduzir afastamentos, melhorar a produtividade, diminuir o turnover, aumentar a qualidade de vida e facilitar o cuidado com filhos e família. Também se destaca a perspectiva de redução da sobrecarga das mulheres.
Por outro lado, entidades empresariais apontam possíveis impactos negativos da mudança. Entre os principais argumentos estão o aumento de custos, a pressão sobre preços, a necessidade de mais contratações e os efeitos mais intensos sobre pequenas e médias empresas.
Por IREE
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