Por que o Super El Niño preocupa tanto? – IREE

Análises e Editorial

Por que o Super El Niño preocupa tanto?

27 de julho de 2026

O alerta climático se confirmou com a chegada de um Super El Niño neste ano. Em 3 de julho, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU para clima e meteorologia, informou que a temperatura das águas do Pacífico já havia ultrapassado 2°C acima da média e que o fenômeno deve se intensificar nos próximos meses, aumentando a probabilidade de eventos extremos. O pico é esperado entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico permanecem 0,5°C ou mais acima da média por vários meses, alterando os padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do planeta. Quando esse aquecimento ultrapassa 2°C, o episódio é conhecido como Super El Niño. O último evento dessa magnitude ocorreu entre 2015 e 2016, quando a temperatura do Pacífico chegou a 2,8°C acima da média.

Embora o El Niño seja um fenômeno natural, em um contexto de mudanças climáticas, seus efeitos ficam mais intensos.

Impactos do Super El Niño no Brasil

No Brasil, os efeitos do fenômeno devem variar conforme a região. No Sul, a tendência é de aumento das chuvas, com maior risco de temporais e enchentes. No Norte e Nordeste, a previsão é de chuvas abaixo da média, elevando o risco de seca e incêndios. Já no Centro-Oeste e Sudeste, o principal impacto esperado é a ocorrência de ondas de calor mais intensas e maior irregularidade das chuvas. De forma geral, a previsão indica temperaturas acima da média em praticamente todo o país.

Os primeiros impactos já começaram a ser observados. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o El Niño já começou a influenciar o padrão de chuvas no Sul do Brasil. Em julho, fortes chuvas, ventos e granizo atingiram 206 municípios do Rio Grande do Sul, e o instituto emitiu novos alertas para tempestades na região para esta semana.

A agricultura está entre os setores mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno. Alterações no regime de chuvas podem afetar culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar, comprometendo o calendário agrícola e a produtividade. Na pecuária, o calor intenso pode reduzir a disponibilidade de pastagens e água, além de elevar os custos de alimentação e manejo dos animais. Uma menor produção de alimentos pode pressionar os preços e contribuir para a inflação.

Os efeitos também chegam à saúde da população. O aumento do calor e da umidade cria condições mais favoráveis para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Segundo o sistema InfoDengue, o número de casos pode aumentar em até 61% na região Sudeste sob influência do El Niño. As ondas de calor também ampliam os riscos de desidratação e podem agravar doenças cardiovasculares e respiratórias, enquanto enchentes e alagamentos elevam a exposição a doenças transmitidas por água contaminada.

Plano do governo

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde anunciou R$ 9,8 bilhões para tentar fortalecer a resposta a eventos climáticos extremos. Entre as medidas estão a criação de 8 Centros Integrados de Saúde e Clima, voltados ao monitoramento de riscos, emissão de alertas e coordenação de ações entre saúde, Defesa Civil e outros órgãos; a ampliação da Força Nacional do SUS, com equipes preparadas para atuar em situações de emergência e desastres; e o lançamento do Painel Nacional de Excesso de Calor, um sistema de alerta antecipado para ondas de calor.



Por Samantha Maia

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