31 de março de 2026
Impulsionados pelos investimentos em transição energética e por sua importância na área de defesa, os minerais críticos estão no centro de uma disputa global que se intensifica, sobretudo, pela forte concentração da produção desses insumos na China. Terras raras, lítio, níquel, grafite, cobre, manganês, cobalto e nióbio estão presentes em aplicações que vão de baterias e veículos elétricos a painéis solares, turbinas eólicas, semicondutores, satélites, drones e componentes de alta tecnologia militar.
Os Estados Unidos e a União Europeia buscam diversificar suas fontes de abastecimento, reduzindo riscos econômicos e geopolíticos. Nesse contexto, nações com grandes reservas, como o Brasil, ganham relevância estratégica no mercado mundial. O país detém mais de 90% das reservas mundiais de nióbio, além de possuir a segunda maior reserva de terras raras e de grafite do mundo. Também se posiciona como a terceira maior reserva de níquel, a quarta de manganês e a sétima de lítio.
Entre os minerais críticos, as terras raras se destacam pelo uso no setor militar. Com propriedades magnéticas, elétricas e luminescentes, são amplamente aplicadas em turbinas eólicas, motores elétricos e, sobretudo, em tecnologias aeroespaciais, como satélites, foguetes e mísseis. A concentração da produção na China, somada à dependência de países como os Estados Unidos, reforça o caráter estratégico desses insumos para a segurança nacional, já que impacta o acesso a tecnologias essenciais e o funcionamento de sistemas de defesa.
O lítio, por sua vez, ganhou relevância por ser um dos principais componentes das baterias recarregáveis usadas em veículos elétricos, celulares, computadores e sistemas de armazenamento de energia. Com a expansão da eletrificação da economia, a demanda global deve crescer significativamente — estimativas da Agência Internacional de Energia indicam que pode triplicar ou quadruplicar até 2040.
Além do lítio, outros minerais formam a base da indústria moderna e da economia global. O grafite é essencial para as baterias de íon-lítio; o cobre, para a condução de eletricidade; o níquel, para a produção de aço inoxidável e baterias; e o manganês, para a fabricação de aço. Esses materiais sustentam a infraestrutura, a indústria e os sistemas energéticos.
Por fim, o nióbio é utilizado em ligas metálicas, nas quais contribui para aumentar a resistência, reduzir o peso e melhorar a eficiência dos materiais, com ganhos econômicos e ambientais. O mineral ganhou visibilidade com a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que exaltado como um recurso estratégico e um dos “tesouros” do Brasil, com ênfase na sua exploração e valorização tecnológica.. Na prática, porém, seu mercado global é pequeno e estável, concentrado no uso em aço, o que limita seu impacto frente a minerais como lítio e grafite.
Por IREE
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