3 de março de 2026
Confundir o Irã com um país árabe é um erro comum no imaginário ocidental, mas revela um problema maior: a tendência de tratar o Oriente Médio como um bloco homogêneo. Iranianos e árabes pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintos. Religião não define etnia, portanto, nem todo muçulmano é árabe, e o Oriente Médio não é sinônimo de “mundo árabe”. Entender essa diferença é essencial para compreender identidade, história e geopolítica na região.
A identidade árabe é definida principalmente por língua e cultura: são considerados árabes os povos que têm o árabe como língua materna e compartilham herança histórica ligada à Península Arábica. Integram o mundo árabe um conjunto de 22 países, como Arábia Saudita, Egito e Jordânia, que somam cerca de 450 milhões de habitantes.
O Irã não faz parte dessa construção histórica. Sua população é majoritariamente persa, de origem indo-europeia, e sua língua oficial é o farsi. A civilização persa antecede o islamismo em séculos: impérios como o antigo Império Persa moldaram a região muito antes da expansão árabe do século VII. Conhecido no Ocidente como Pérsia até o início do século XX, o país passou a se chamar oficialmente Irã em 1935. Hoje, tem cerca de 88 milhões de habitantes, dos quais 60% a 65% são persas e entre 90% e 95% seguem o islamismo xiita.
Ainda que o Irã seja majoritariamente muçulmano xiita, o islamismo não constitui identidade étnica. Existem árabes cristãos, turcos muçulmanos, curdos muçulmanos e diversas outras combinações identitárias. Outro problema comum é reduzir a região a “conflito religioso”, o que empobrece a análise, na medida em que generalizações apagam identidades e alimentam estereótipos.
Dessa forma, compreender as diferenças entre árabes e persas é condição básica para qualificar o debate público, principalmente em momento de tensões e conflitos intensificados, como o que vivemos nesses dias.
Por IREE
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