4 de setembro de 2024
Os dados mais recentes evidenciam um momento positivo para a economia brasileira. O crescimento de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano veio acima das estimativas do mercado, puxado principalmente pela dinâmica interna de aumento de renda do trabalho e de consumo da população. O resultado também foi influenciado pelo consumo do governo, que veio mais forte pela antecipação de despesas devido ao calendário eleitoral e pelos gastos para ajudar o Rio Grande do Sul.
O Brasil é o segundo país que mais cresceu no mundo no segundo trimestre, segundo a empresa de classificação de risco Austin Rating. Se considerar o crescimento nos últimos 12 meses, o Brasil é o 6º país entre as economias do G20 que mais cresceram, atrás apenas de Índia, Indonésia, China, Rússia e Estados Unidos.
O desemprego chegou a 6,8% no trimestre móvel encerrado em julho, uma taxa próxima do pleno emprego, com recorde de carteira assinada e alta de 4,8% do rendimento médio no ano. Isso, até o momento, sem gerar uma pressão inflacionária. A taxa de investimento, por sua vez, ficou em 16,8% do PIB no 2º trimestre de 2024, com crescimento de 2,1% sobre o trimestre anterior e de 5,7% sobre o mesmo período de 2023. Segundo monitoramento do Bradesco, os anúncios de investimentos no país estão no maior patamar desde 2020: foram 362 anúncios entre janeiro e julho de 2024, 23,6% a mais que no mesmo período de 2023.
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Em meio ao cenário positivo, surgem alertas sobre um possível efeito da demanda aquecida sobre a inflação e, com eles, a pressão do mercado financeiro por um aumento da Selic, que serviria para frear o crescimento econômico e conter altas de preço por demanda. Depois de um ciclo de dez meses de cortes que durou até junho deste ano, o Banco Central tem mantido a taxa de juros em 10,5%. Uma das razões da manutenção da Selic é a demora para os EUA cortarem seus juros, o que pode mudar a partir da próxima reunião em setembro, para quando há sinais de início de uma redução.
O Banco Central também se guia pelo resultado fiscal do governo, sob a lógica de quanto maior a dívida, maior os juros para torná-la atrativa. Por outro lado, para incentivar investimentos públicos e privados – o que permitiria adequar a oferta à demanda -, também é preciso diminuir juros. Na gestão Lula, a dívida pública chegou a 78,5% do PIB, patamar mais alto em quase três anos. É uma conta que o governo tem buscado fechar com um foco maior na melhora na arrecadação do que no corte de gastos, a partir tanto de rearranjos tributários quanto na aposta no crescimento econômico.
A dificuldade do governo obter superávit está principalmente nas contas obrigatórias, que estão ligadas às áreas sociais como saúde, educação e aposentadoria. Segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) apresentado nesta semana, as despesas obrigatórias do governo federal vão subir R$ 132,2 bilhões em 2025, o que deixará pouco espaço para novos gastos.
Questionado sobre o risco inflacionário diante do resultado do PIB, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou o crescimento da indústria e da formação bruta de capital fixo como sinais de mais investimentos, o que pode garantir um crescimento com baixa inflação. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que o PIB do Brasil pode crescer até 3% sem pressionar a inflação, desde que o crescimento ocorra em diversas frentes.
Já agentes do mercado financeiro voltaram a ampliar as apostas em uma elevação da Selic em 0,5 ponto percentual na reunião do Copom, apesar da declaração do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que um eventual ciclo de aperto monetário no país será gradual.
Por Samantha Maia
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