PIB e inflação sob impacto da guerra – IREE

Análises e Editorial

PIB e inflação sob impacto da guerra

27 de março de 2026

O agravamento da guerra no Oriente Médio tem impactado o cenário econômico no Brasil e no mundo. O conflito afeta expectativas, pressiona preços e leva instituições a revisarem suas projeções de crescimento do PIB e da inflação.

No Brasil, o Banco Central manteve a projeção de crescimento do PIB em 1.6% para 2026 em seu último relatório, publicado no dia 26 de março, mas elevou a estimativa de inflação de 3,5% para 3,9%, refletindo um ambiente externo mais desafiador. Segundo a instituição, o cenário internacional exige maior cautela na condução da política monetária, o que significa que o ciclo de cortes da taxa Selic — atualmente em 14,75% ao ano — pode ocorrer de forma mais lenta.

Como a guerra afeta a economia

O conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já se estende a outros países do Oriente Médio, tem impacto direto no comércio mundial de petróleo, pois a região concentra grande parte da produção da commodity e abriga rotas essenciais para o seu transporte.

Segundo o Copom, embora alguns setores — como o de petróleo — possam se beneficiar da alta das commodities, o efeito geral sobre a economia tende a ser negativo, ao pressionar a inflação e reduzir o ritmo de crescimento. Além disso, o aumento da incerteza afeta decisões de investimento, comércio e consumo.

No Brasil, uma das principais preocupações tem sido o impacto da alta do diesel sobre a inflação. O IPCA-15, divulgado pelo IBGE em 26 de março, ficou em 0,44% em março, abaixo dos 0,84% registrados em fevereiro. Ainda assim, houve uma alta disseminada entre diferentes grupos e regiões, com destaque para Alimentos (0,88%), Serviços e despesas pessoais (0,82%).

A guerra também levou a OCDE a revisar para baixo as projeções de crescimento global, indicando que o agravamento do conflito no Oriente Médio tende a anular parte dos avanços recentes da economia mundial. A estimativa agora é de desaceleração de 3,3% em 2025 para 2,9% em 2026, com leve recuperação para 3,0% em 2027.

Segundo a organização, o aumento dos preços de energia e a maior incerteza geopolítica reduzem os efeitos positivos de fatores como os investimentos em tecnologia e a melhora nas condições do comércio global. Além do impacto sobre o crescimento, a inflação também deve ganhar força nas principais economias.

A OCDE projeta que a inflação nos países do G20 alcance 4,0% em 2026 — 1,2 ponto percentual acima das estimativas anteriores — antes de desacelerar para 2,7% em 2027. O cenário reforça a perspectiva de pressões inflacionárias mais persistentes no curto prazo.



Por IREE

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