Philip Yang: A China não quer converter o mundo para o socialismo – IREE

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Philip Yang: A China não quer converter o mundo para o socialismo

4 de novembro de 2025

No episódio do Podcast Reconversa, que foi ao ar no dia 3 de novembro de 2025, o pesquisador e urbanista Philip Yang falou sobre o desenvolvimento da China e sua influência global, o papel das cidades na sustentabilidade social e ambiental e a importância da COP30, que será realizada no Brasil dos dias 10 a 21 de novembro.

Enviado Especial da COP30 para Cidades, Philip Yang é o fundador do Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole (URBEM), uma de suas principais áreas de atuação e interesse. É mestre em Administração Pública pela Kennedy School of Government, da Universidade Harvard; diplomata formado pelo Instituto Rio Branco, tendo servido já em Washington e Pequim, e graduado em música pela Universidade de São Paulo, com especialização na Academia Franz Liszt de Budapeste.

Ao abordar a influência da China no mundo hoje, Yang destacou como o desenvolvimento urbano e tecnológico resultou em uma impressionante infraestrutura de transporte e tecnologia que integra o país e fortalece tanto sua eficiência material quanto seu senso de unidade nacional.

“Essa função missionária que os Estados Unidos assumiram para si, a China não tem. Ela não quer converter o mundo para o socialismo com características chinesas. E no domínio do soft power, aquela coisa da indústria cultural americana que influencia o mundo, a China tem isso hoje simplesmente pela capacidade de gerar o que está gerando de bem-estar para sua própria população e de produzir equipamentos extraordinários.”

Questionado se o governo chinês se baseia de alguma forma na consulta popular, Yang explica que, embora o regime chinês não seja uma democracia nos moldes ocidentais, há mecanismos de consulta e escuta territorial no âmbito do Partido Comunista Chinês, especialmente para planejar grandes projetos.

“Eles têm um processo de escuta territorial para o desenvolvimento de grandes projetos que funciona melhor do que o nosso. Essa escuta, que implica a mobilização das bases partidárias na China, é muito ativa e muito eficiente. O planejamento central está auscultando nos diferentes territórios o que precisa ser feito. Não é sem razão que essas coisas estão caminhando do jeito que estão”, afirmou.

Na entrevista, Philip Yang também falou sobre como vê o desenvolvimento urbano da cidade de São Paulo e refletiu sobre o papel do planejamento público e a importância de espaços coletivos na construção de uma cidade mais justa e integrada.

“A gente vive uma economia capitalista cujo funcionamento é inerentemente concentrador. As cidades, como obrigação para mitigar esse problema da concentração, têm que gerar bens coletivos. Calçadas melhores, parques, lugares onde as pessoas sintam que fazem parte de uma mesma coletividade”, disse ele.

O Podcast Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ao ar toda segunda-feira, às 21h30! O vídeo completo pode ser visto aqui.

 

 



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