Pesquisa indica que SUS não sai fortalecido da pandemia – IREE

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Pesquisa indica que SUS não sai fortalecido da pandemia

25 de agosto de 2021

Por Samantha Maia

Pesquisa realizada pelo JUSTA com base nos orçamentos estaduais mostra que recursos extras para o setor da saúde durante a pandemia em 2020 foram em sua maioria gastos com empresas privadas ou entidades não-públicas, sem deixar um legado para a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS).

O levantamento foi realizado nos estados da Bahia, Ceará, Paraná, Tocantins e São Paulo e mapeou os principais contratos celebrados com dispensa de licitação e seus credores. A pesquisa completa pode ser acessada aqui.

“A motivação desse estudo era ver se realmente os recursos haviam sido destinados ao SUS, e o discurso de que o SUS foi reconhecido e saiu fortalecido na pandemia mostrou-se uma grande falácia”, disse Jean Peres, economista-chefe do JUSTA e responsável pela pesquisa em webinar transmitido pelo IREETV.

O mapeamento da pesquisa mostrou que realmente os estados gastaram mais com saúde em 2020 do que em 2019, mas o destino não foi o SUS. “A pandemia motivou uma despesa maior dos estados na saúde, mas esses recursos foram em sua maior parte capturados pela iniciativa privada e por entidades não-públicas”, explica Peres.

O economista cita como exemplo gastos com investimentos em hospitais de campanha e com a importação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e de respiradores. “Os investimentos em hospitais de campanha foram feitos através de parcerias, e quando você desmonta só tem o registro de despesa pública, o SUS mesmo não foi fortalecido.”

Os dados foram levantados no Portal da Transparência e no Portal Covid, este último criado para as contratações sem licitações liberadas pela lei 13.979/2020, que estabeleceu medidas emergenciais para a pandemia.

O que permitiu o aumento de despesas do estados foi principalmente a aprovação da lei complementar 173/20, que definiu: 1. repasse extra de recursos para os estados, Distrito Federal e municípios; e 2. que os estados teriam suspensas pelo período de 1 ano as dívidas com a União, bancos públicos e com organismos multilaterais nos quais o governo federal era avalista.

Nos estados cujos dados foram levantados pela pesquisa, os valores de repasses e do adiamento do pagamento da dívida somados foram de R$ 2,2 bilhões na Bahia, R$ 1,26 bilhão no Ceará, R$ 2,5 bilhões no Paraná, R$ 19,9 bilhões em São Paulo e R$ 428,5 milhões no Tocantins.

Apesar do aumento, observa-se uma queda dos gastos com pessoal e encargos sociais nos estados, chegando ao mínimo histórico da participação de servidores no orçamento da saúde, um reflexo também da proibição da lei 173/20 para a contratação de pessoal.

“A lei 173/20 serviu quase como uma ameaça ao governador que quisesse fortalecer a estrutura do SUS. É uma série de vedações que já no Congresso selaram o destino desses gastos excedentes”, diz Peres.

 



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