Paulo Gala: Desafio do Brasil é ter estrutura empresarial sofisticada – IREE

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Paulo Gala: Desafio do Brasil é ter estrutura empresarial sofisticada

Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 28 de maio, o Economista-Chefe do Banco Master Paulo Gala falou sobre os desafios para a melhoria da renda no Brasil, a necessidade de uma neoindustrialização e a as perspectivas para a economia brasileira.

Graduado em economia pela FEA-USP, Paulo Gala é mestre e doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, onde também leciona desde 2002. Trabalhou como economista, gestor de fundos e CEO em instituições do mercado financeiro em São Paulo. É co-autor de “Brasil, uma economia que não aprende”.

Segundo Paulo Gala, para a renda trabalhadores brasileiros crescer, e o Brasil se tornar um país rico, é preciso haver um salto na complexidade produtiva brasileira.

“O grande desafio brasileiro é ter uma estrutura produtiva mais sofisticada. Um país rico é um país que tem uma estrutura produtiva complexa. O desafio do país, das empresas e dos trabalhadores, é dar um salto de complexidade produtiva. Isso passa por empresários investindo em sofisticação. Não bastam apenas commodities, agro, petróleo, minério de ferro. Precisa ter indústria e serviços sofisticados.”

O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas agora vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.

Confira a seguir os destaques do episódio!

O Brasil não vai para o buraco

Paulo Gala tem uma visão otimista sobre o futuro econômico do Brasil e chamou atenção para o fato de que a situação atual da economia contrariou as previsões pessimistas iniciais.

“No começo do ano passado, as pessoas estavam muito pessimistas, gente falando de dólar a seis reais, juros explodindo, contas públicas fora do controle, e aconteceu o contrário. A Bolsa foi pra máxima histórica, o dólar veio a R$ 4,80, os juros caíram. Quem ficou apostando nessa espécie de apocalipse brasileiro perdeu dinheiro.”

Responsabilidade das agências de rating

Gala falou sobre a influência das agências de rating e de como questões políticas têm sido determinantes para as avaliações. “A gente só não virou o grau de investimento, segundo comentário das próprias agências, porque elas ainda veem alguma instabilidade política, e não instabilidade econômica. Os indicadores econômicos brasileiros, como o desemprego na mínima de dez anos, inflação na mínima de dez anos, crescimento na máxima de dez anos, são inequívocos de um país sólido do ponto de vista econômico.”

Programa de neoindustrialização no Brasil

O economista defendeu a  importância de uma nova industrialização no Brasil diante do declínio da produção industrial no país desde os anos 1980. Segundo ele, o desenvolvimento da indústria e de serviços sofisticados exigirá décadas de investimentos privados, indução pública e suporte regulatório.

“Hoje a produção industrial chinesa é de 4 trilhões de dólares por ano. A produção industrial brasileira é de 200 bilhões de dólares. A China é 20 vezes maior que o Brasil. Eu acho boa a ideia de neoindustrializar. Uma economia tecnologicamente complexa demanda serviços complexos, então, vai demorar três, quatro, cinco, dez décadas, e vai precisar de muito investimento privado, indução pública, BNDES e regulação.”

Escolhas do Governo Lula

Paulo Gala avalia que o governo federal tem acertos na agenda de reindustrialização e desenvolvimento sustentável. Para ele, agregar valor à produção industrial e aproveitar a matriz energética limpa do país é um caminho importante para o país se tornar uma potência verde.

“Eu acho que o governo está indo na direção certa e Lula foi feliz nessa escolha dos ministérios, Haddad na Fazenda, Simone no Planejamento, Alckmin na Indústria e como vice-Presidente. As missões estão bem pensadas. Acho que o Brasil tem perspectiva nesses setores. Na parte de sustentabilidade, o Brasil pode, de fato, ser uma potência verde para o planeta. A matriz energética brasileira é 85% limpa, isso é a meta de todos os países. Só que a gente precisa produzir as coisas.”



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