OTAN: garantia de paz ou motor de disputas? – IREE

Análises e Editorial

OTAN: garantia de paz ou motor de disputas?

23 de março de 2026

A OTAN ocupa hoje um lugar central nas discussões sobre segurança internacional. Criada como uma aliança de defesa, sua trajetória ao longo das décadas levanta uma questão que permanece aberta: a OTAN contribui para a estabilidade global ou também alimenta tensões? E esse dilema se traduz em um desafio atual: até onde deve ir sua atuação?

Formada por 32 países da América do Norte e da Europa, a OTAN é uma aliança política e militar cujo objetivo central é garantir a segurança de seus membros com base no princípio da defesa coletiva: a ideia de que um ataque contra um país do bloco deve ser respondido por todos.

A aliança foi criada em 1949, no contexto da Guerra Fria, com o objetivo de conter a influência da União Soviética na Europa. Com o fim desse período, a OTAN expandiu-se em direção ao Leste Europeu, incorporando países que antes estavam na esfera de influência soviética. um movimento que passou a ser visto por Rússia como uma ameaça.

 

OTAN x Rússia

No centro dessa tensão está um desacordo persistente. A Rússia sustenta que recebeu garantias de que a OTAN não avançaria “nem um centímetro” para o Leste após o fim da Guerra Fria. Já os Estados Unidos e a OTAN afirmam que nunca houve um acordo formal nesse sentido. Essa divergência não resolvida se tornou um dos principais pontos de atrito nas relações entre o Ocidente e a Rússia.

Apesar de tentativas de aproximação nos anos 1990 e 2000, a relação entre a OTAN e a Rússia se deteriorou progressivamente. O presidente Vladimir Putin passou a criticar de forma cada vez mais contundente a expansão da aliança. A aproximação da OTAN com a Ucrânia intensificou esse cenário e é apontada como um dos fatores que contribuíram para a atual Guerra Russo-Ucraniana.

Ao longo das últimas décadas, a OTAN também participou de diversas operações militares e missões internacionais. Entre os principais conflitos com envolvimento da aliança estão as guerras da Bósnia, do Kosovo, do Afeganistão, do Iraque, da Líbia e, mais recentemente, o apoio à Ucrânia.

As críticas de Trump

Dentro do próprio bloco, há divergências sobre custos, responsabilidades e prioridades estratégicas. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem expressado essas tensões de forma explícita. Em 2017, chegou a classificar a OTAN como “obsoleta” e criticou os aliados por dependerem excessivamente dos EUA, que concentram a maior parte dos gastos militares.

Mais recentemente, Trump voltou a atacar os membros da aliança, chamando-os de “covardes” por não apoiarem os EUA em iniciativas como a liberação do Estreito de Ormuz, no contexto da guerra contra o Irã.

A pressão dos EUA para que a OTAN atue no Estreito de Ormuz implica converter uma aliança defensiva em uma plataforma de projeção de poder. Mais do que uma decisão militar, está em jogo o próprio sentido da OTAN no mundo atual.



Por IREE

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