Os efeitos do tarifaço sobre o Brasil e o mundo – IREE

Análises e Editorial

Os efeitos do tarifaço sobre o Brasil e o mundo

13 de julho de 2026

Um ano após a imposição de tarifas mais elevadas pelos Estados Unidos, o comércio internacional passou por uma reorganização. A estratégia americana de elevar barreiras comerciais reduziu algumas trocas bilaterais, mas também acelerou mudanças nas rotas de exportação, nos parceiros comerciais e nas cadeias produtivas globais. Confira a seguir os impactos do tarifaço sobre o Brasil e outros destaques.

 

 

O impacto para o Brasil

As tarifas elevadas sobre produtos brasileiros fizeram com que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos perdesse força, movimento que pode ser observado com a queda de 12,8% da corrente de comércio no primeiro semestre de 2026 comparado ao mesmo período de 2025. As exportações brasileiras para o mercado americano caíram 13% no período, passando para US$ 17,4 bilhões. Já as importações de produtos dos Estados Unidos pelo Brasil diminuíram 12,5%, somando US$ 18,9 bilhões.

Apesar dessa situação, as exportações brasileiras cresceram 11,5% no período, impulsionadas principalmente pela expansão das vendas para a China e para a União Europeia. As exportações do Brasil para a China aumentaram 21,9%, enquanto os embarques para a União Europeia cresceram 12,8%. O resultado foi um aumento do superávit da balança comercial brasileira, que alcançou US$ 42,357 bilhões, alta de 40,3%.

A China mudou a rota

O tarifaço de Donald Trump alterou os fluxos comerciais entre as duas maiores economias do mundo, reduzindo significativamente as exportações chinesas para os Estados Unidos. Em maio de 2026, as vendas recuaram 34% e, em junho, 16,1%, na comparação com os mesmos meses do ano anterior.

Mesmo com a queda das vendas para o mercado americano, a China conseguiu compensar parte das perdas ampliando as exportações para outros destinos. O país encerrou o primeiro semestre de 2026 com um superávit comercial recorde de US$ 586 bilhões, resultado impulsionado pela diversificação dos mercados compradores.

México e Vietnã ganharam espaço

Enquanto alguns países perderam participação no mercado americano, México e Vietnã ampliaram sua presença.

Apesar do tarifaço, o México consolidou sua posição como principal parceiro comercial dos Estados Unidos, favorecido pela integração das cadeias produtivas norte-americanas e pelo acordo comercial USMCA. Em maio de 2026, o país registrou exportações recordes de US$ 53,5 bilhões para o mercado americano,

O Vietnã também se destacou como um dos países beneficiados pela reorganização das cadeias globais. Entre janeiro e maio de 2026, exportou US$ 98 bilhões para os Estados Unidos, um crescimento de 39% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionado pelo deslocamento de parte da produção que antes estava concentrada na China.



Por IREE

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