26 de junho de 2026
Recentemente, uma disputa envolvendo casas de repouso no bairro da Lapa, em São Paulo, trouxe à tona um debate sobre o lugar reservado aos idosos na sociedade.
O episódio chamou atenção para uma questão que tende a ganhar cada vez mais relevância em um país que envelhece rapidamente: estamos preparados para conviver com uma população idosa cada vez maior? A realidade mostra que há desafios importantes, que vão da infraestrutura urbana ao acesso a cuidados e à inclusão social.
Abaixo veja o que os dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revelam sobre o envelhecimento no Brasil.
Mobilidade urbana
- 42,7% dos idosos que vivem em áreas urbanas relatam medo de cair por causa de defeitos em calçadas ou ruas próximas de suas casas;
- 20,9% dos idosos sofreram quedas nos últimos 12 meses.
Esse medo faz com que muitas das pessoas com 60 anos ou mais deixem de sair de casa, reduzindo a convivência social e autonomia.
Segurança
- 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhança onde vivem muito insegura em relação à violência e à criminalidade.
Ou seja, cerca de 3,8 milhões de pessoas idosas vivem em bairros que consideram muito inseguros por causa da violência.
Saúde
- 34,4% dos idosos têm hipertensão, que é a pressão arterial de 14 por 9 ou acima disso;
- 17,4% da população idosa apresenta sintomas depressivos.
São cerca de 11 milhões de brasileiros que necessitam de avaliação, diagnóstico e tratamento para prevenir infarto, AVC e demência vascular.
Limitação funcional
- 20,4% dos idosos brasileiros apresentam dificuldade para realizar atividades básicas do cotidiano, como se vestir, tomar banho, comer, usar o banheiro ou levantar-se da cama.
São cerca de 6,5 milhões de pessoas vivendo com algum grau de limitação funcional. A condição afeta a autonomia dos idosos e aumenta a demanda por cuidados e serviços de saúde.
Cuidado
Entre os idosos que apresentam dificuldades para realizar uma ou mais atividades do cotidiano, apenas 37,9% recebem ajuda.
Ainda segundo o estudo, somente 5,8% dos cuidadores receberam algum tipo de treinamento.
Os dados revelam fragilidades nas políticas de apoio e capacitação ao cuidado domiciliar do idoso.
A importância do SUS
Cerca de dois terços das pessoas com 60 anos ou mais têm o SUS como única fonte de atenção à saúde.
Além disso, 69,2% dos idosos brasileiros, cerca de 22,2 milhões de pessoas, estão vinculados à Estratégia Saúde da Família (ESF).
Em um cenário nacional marcado por desigualdades socioeconômicas, essas são estruturas essenciais para promover o envelhecimento saudável.
A necessidade dos idosos
Fatores urbanos e sociais são determinantes para a qualidade de vida da população idosa. Por isso, são necessárias políticas públicas voltadas para mobilidade urbana, acessibilidade, segurança, cuidado e acesso ao sistema de saúde.
Por Gabriela Farias
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