15 de julho de 2026
Os fortes terremotos que atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho deixaram, até o momento, mais de 4.500 mortos, 16.700 feridos e 17.900 desabrigados. O número de vítimas, no entanto, ainda pode aumentar, pois estimativas apontam para cerca de 30 mil desaparecidos. A tragédia agrava a situação de um país que já enfrentava uma profunda crise econômica, social e política.
Além das vidas perdidas, a população venezuelana enfrenta uma crise humanitária em múltiplas frentes. Os terremotos destruíram cidades e provocaram danos em estradas, pontes, redes de energia e sistemas de abastecimento de água. A falta de moradia, a sobrecarga do sistema de saúde e o risco de surtos de doenças, como dengue e febre amarela, ampliam os desafios sanitários. A perda de meios de subsistência também agrava a vulnerabilidade de milhares de famílias.
A reconstrução da Venezuela é uma tarefa longa e envolve diferentes etapas. As prioridades imediatas são o resgate de sobreviventes, o atendimento aos feridos, a criação de abrigos temporários e a distribuição de água, alimentos e medicamentos. Na sequência, é necessário identificar as vítimas, prestar assistência às crianças órfãs e avaliar a extensão dos danos. No longo prazo, o país terá de reconstruir moradias, recuperar estradas, pontes e redes elétricas, além de retomar a economia e os serviços públicos.
Todo esse processo exigirá tempo e grandes recursos financeiros. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os danos físicos diretos causados pelos terremotos são estimados em US$ 37 bilhões. Desse total, cerca de US$ 24 bilhões correspondem a perdas em habitações, comércios, escolas, hospitais e edifícios públicos. Outros US$ 13 bilhões estão relacionados a estradas e setores como telecomunicações e energia. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a criação de um fundo de US$ 200 milhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para auxiliar na reconstrução do país.
Mais de 30 países já participaram de missões humanitárias após os terremotos, enviando equipes de resgate, profissionais de saúde, hospitais de campanha, alimentos e medicamentos. O Brasil participou dos esforços de emergência com seis voos humanitários que transportaram 60 toneladas de suprimentos e equipamentos médicos, 100 purificadores de água e um hospital de campanha com capacidade para até 30 leitos. A operação contou com 93 militares, 71 bombeiros, quatro especialistas da Defesa Civil e seis técnicos da Anatel.
Países e organizações também mobilizaram recursos financeiros. Até 14 de julho, o site Ruta de Ayuda, criado pela ONG Transparencia Venezuela, apontava os Estados Unidos como o principal doador, com US$ 308 milhões, seguido pela China, com US$ 14,7 milhões, e pela Itália, com US$ 10,8 milhões. A ajuda internacional ocorre em meio à intervenção norte-americana no país e ao controle dos Estados Unidos sobre a comercialização do petróleo venezuelano.
Por Gabriela Farias
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