25 de junho de 2024
Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 25 de junho, o cientista político Oliver Stuenkel falou sobre as eleições americanas, os riscos para a democracia e os desafios das relações internacionais em um mundo hiperglobalizado.
Oliver Stuenkel nasceu na Alemanha, mas é radicado no Brasil, país que visitou pela primeira vez em 1996, aos 14 anos. Em 2003, trabalhou na ONU em Brasília, experiência que o levou a se dedicar ao estudo da política externa brasileira durante doutorado em Ciência Política na Universidade de Duisburg-Essen. Foi professor na USP e atualmente é professor na Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo.
Stuenkel diz estar mais preocupado hoje com a democracia americana do que com a brasileira. Ele avalia que o Brasil soube lidar melhor com o pico de polarização, enquanto nos Estados Unidos há uma ausência de Justiça Eleitoral.
“Eu ainda não acredito que um segundo mandato de Trump representa uma ameaça mortal à democracia americana, mas certamente tem um potencial de reduzir a sua qualidade, que hoje já não é mais comparável com a qualidade de democracia de vários países europeus, por exemplo. Ou seja, a ausência de uma Justiça Eleitoral é um grave problema para uma democracia”, disse Oliver Stuenkel.
O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.
Confira a seguir os destaques do episódio!
Resultado das eleições americanas
Oliver Stuenkel acredita que o ex-Presidente Donald Trump deve ganhar as eleições e que os riscos maiores à democracia estão em uma vitória apertada do atual mandatário Joe Biden.
“O cenário que mais me preocupa é o Biden ganhar por muito pouco. Isso também é outra loucura no sistema, quem vai decidir essas eleições são 50 mil pessoas, é o eleitor centrista nos estados-pêndulo. O Congresso Republicano que se recusa a certificar a vitória, e aí a Suprema Corte americana vai ter que decidir, e não deve ser assim.”
China como uma ameaça
O cientista político falou sobre a continuidade de políticas protecionistas iniciadas no mandato de Trump e mantidas por Biden. Segundo Stuenkel, elas refletem um cansaço com a globalização.
“O Trump representa uma mudança estrutural que o próprio Biden manteve, da transformação dos Estados Unidos de um país pró-globalização para um país protecionista. Há um certo cansaço na população com a globalização e uma percepção de que os chineses estão numa ascensão mais íngreme do que a americana, e isso fará da China, em algum momento, detentora de tecnologias de ponta, semicondutores, inteligência artificial, aquilo para os Estados Unidos representa uma ameaça.”
Momento de maior tensão desde o fim da Guerra Fria
Oliver Stuenkel avalia o momento atual como o mais tenso desde a Guerra Fria devido à transição de um mundo unipolar para multipolar.
“Eu acho que todos nós temos que reaprender a viver em um mundo cheio de tensões, e o nosso mundo hoje é muito vulnerável a essas tensões porque como é hiperglobalizado, qualquer pequeno aparelho eletrônico depende de cadeias de suprimentos que são hipercomplexas, e se um país entrar em guerra contra outro, isso pode ter um impacto global imediato.”
Leia também
Escudo das Américas e a influência dos EUA
Continue lendo...
33ª Marcha pela Justiça: quando o presente não basta
Continue lendo...
Independência é poder decidir
Continue lendo...