O Tiro no Pé, Lira do Delírio e Pintos Murchos – IREE

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O Tiro no Pé, Lira do Delírio e Pintos Murchos

Ricardo Dias

Ricardo Dias
É luthier, escritor e músico



Essa semana o governo inscreveu-se num clube de tiro e passou o tempo atirando no próprio pé, segundo muita gente boa. Segundo muita gente ruim também… Por exemplo, a direita, com uma certa razão, reclama de Lula declarar seu amor a Maduro. De fato, não pega bem gritar uma paixão por ditadores aos 4 ventos, melhor fazer à meia luz, quietinho. Ainda mais um ditador chinfrim, que nem dá joia de presente…

O mal venceu: passou o marco temporal. E enfraqueceram Marina. Marina há tempos foi – com perdão da má palavra, mas não existe outra – sacaneada por Lula, sacaneada por Dilma e, resiliente, engoliu tudo para fazer o que sabe, lutar pela natureza. Mas os pessoais andam abusando. O Brasil precisa dela. Ela é respeitada, querida, reconhecida, necessária. Assim como Lula, ela é das poucas brasileiras reverenciadas aqui e lá fora – bem mais lá fora. Tirá-la do caminho – sem resistência do governo – é diminuir o país. Torço para que quando estas bem-traçadas forem publicadas Lula tenha reagido e defendido o princípio da coisa. A gente precisa negociar com esse Congresso, que, bem ou mal, foi eleito. Mas tem hora em que se precisa dar murro na mesa.

O fato é que essa foi uma semana horrorosa, onde o Congresso – perdão, congresso – disse ao que veio. Temos o pior congresso da história, o pior Supremo – perdão, supremo – da história, saímos do pior governo da história – a frase famosa aqui é invertida, a farsa se repete como história. O diabo é que nosso sistema de governo gera presidentes com tanto poder quanto os do parlamentarismo. Claro, é preciso negociar com o congresso, mas uma coisa é negociar, outra, negociata. O cidadão recebe 1 bilhão de votos, é eleito presidente, e não manda patavina. O outro recebe uns 300 e pronto: é imperador plenipotenciário, rei do congresso e, portanto, de tudo e todos.

Lyra reclama de falta de articulação política do governo. “Articulação política”. O que diabos é isso?

-Boa tarde, deputado. Vamos nos articular?

-Claro. O que você oferece?

-Coisas excelentes para o povo brasileiro!

-Ah.

-?

-Algo mais substancioso?

-O quê?

-Um ministério, uma estatalzinha…

-Ah.

E para completar a semana Lula indicou – apesar de meus veementes protestos! – Zanin para o supremo. Nada contra ele, trata-se de um profissional sério. Apenas acho que precisamos de alguém comprovadamente com consciência social, que ouça a voz das ruas. Mas também fui contra Xandão, amiguinho de Temer, então, tomara que eu mantenha minha média de erros. E que escolham Silvio Almeida para a vaga de Rosa Weber!

Mas que achei pouco educado não me ouvirem, achei.

Aos poucos vamos caindo na real, achando normal as pessoas comerem, terem possibilidade de comprar gás, não ouvirem o presidente falando palavrão. Mas tem gente saudosa. O governador Caiado diz que o MST é aliado ao tráfico de drogas, Zema diz que os estados do Sul e Sudeste têm que mandar em tudo pois neles “têm mais gente trabalhando que recebendo auxílio emergencial”. Essa gente seria divertida, se não fosse tão perigosa. Falando em perigo, fogo no bordel – quase literalmente:

Um cidadão denuncia Moro por chantagem. Teriam filmado a suruba de sorumbáticos desembargadores que, sem embargo, estariam de cueca ensebada em companhia de moças da antigamente chamada vida fácil. Imaginar a cena é um desgosto, aquela sucessão de pênis flácidos, mesmo turbinados por pílulas emprestadas de seus amigos generais, babões em cima de moças entediadas, um galinheiro em dia de chuva: pintos murchos e cabisbaixos ciscando com esperança mas sem resultado digno de nota.

Não acredito que isso seja verdade. Até podridão tem limite. Como vem de um delator – que, mesmo a nosso favor, é uma gente nojenta – prefiro acreditar que não ocorreu nada disso. Vamos limitar seus crimes a prender um inocente por quase dois anos e a eleger um anormal.

 

Então, para terminar voltando ao princípio, vamos lutar para que a pauta da ecologia – e tudo que a cerca – não seja sepultada por mais um Belo Monte de lixo…



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Ricardo Dias

Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.

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