O tchãnãnã nãnã nãnãnãnã, A Esposa Ausente e O Mofo – IREE

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O tchãnãnã nãnã nãnãnãnã, A Esposa Ausente e O Mofo

24 de novembro de 2025

Ricardo Dias

Ricardo Dias
É luthier, escritor e músico



O momento foi de enorme alegria. A tensão no ar, a expectativa, e de repente… Falha da defesa do Flamengo, gol do Fluminen… Não, pera…

Troquei as alegrias. Acordei cedo no sábado, abri minha latinha de Coca-Cola e fui assistir ao Globo Rural. Uma matéria interessante, sobre a flatulência do gado, quando, não mais que de repente, sobrepondo-se à imagem da gadalhada, o tchãnãnã nãnã nãnãnãnã do Plantão da Globo. Aprumei-me no sofá: o que seria? Seria, não, era a prisão do Bozo!

Respiração suspensa. Quando Lula foi preso, havia 2.397 câmeras, 4.109 repórteres, 996 emissoras de TV do mundo todo, devidamente avisadas por Moro, O Probo. Se para um inocente foi essa festa toda, imaginem para um culpado – culpadíssimo, aliás.

Nada. Uma coisa chocha, sem graça. Essa gente da Polícia Federal não sabe montar um espetáculo, Xandão não tem ideia do que seja uma boa produção. Bem, pelo menos deveria ter Michelle chorando…

 

 

-Como, doutor? Michelle não estava em casa? Às 6 da manhã? Uma mulher temente a Deus e submissa ao marido deveria estar rezando em alguma vigília, certamente. Nos Estados Unidos chamam, quando alguém chega em casa com a roupa que saiu na véspera, de caminhada da vergon… Desculpe, Caminhada da Virtude. Isso, Virtude. Deve ser o caso.

Mas Xandão tinha motivo para a preventiva? Vejamos: a soma do QI dos filhos de Bolsonaro dá um número imaginário negativo. Um deles, o 01, resolveu chamar o Senhor dos Exércitos para patrocinar uma manifestação do gado vacum em frente à prisão bozal. Mas não contaram com o Senhor da Polícia Federal nem com o Senhor do Supremo, e quando o intelectual mór, chefe do clã, resolveu comemorar enfiando ferro quente na tornozeleira, nosso bom careca resolveu que já era demais. Foi preso por atentado familiar à inteligência, não por tentativa de fuga. E não, ele não disse que tentou tirar a tornozeleira para procurar Michelle! Isso é uma calúnia que não encontra eco nestas bem-traçadas!

Agora Bozo repousa numa confortável sala da PF, com ar refrigerado, geladeira, TV…

Para ele deverá ser melhor, quem se preocupa com sua saúde vai gostar de saber que ele terá atendimento médico bem mais perto que em casa, terá uma alimentação regrada – nada de pão com leite condensado – então sua condição certamente vai melhorar.  Como ele vive a dicotomia de estar à beira da morte e saudável o suficiente para ser candidato à presidência, será bom para ele: ficará indubitavelmente saudável para não ser candidato, e ficar muitos e muitos anos na prisão.

Prisão… Lula saiu melhor que entrou. Aproveitou o tempo da injustiça para crescer como ser humano, física e intelectualmente. Com Bozo isso não acontecerá, para melhorar é preciso um mínimo de base, alguma coisa boa, alguma qualidade. Ele não tem nenhuma, então apenas sua maldade, sua pusilanimidade, e sua burrice, vão crescer, como mofo num armário úmido. Mas, dessa vez, inofensivo.

Fico com pena é de seus carcereiros, que certamente merecerão receber um adicional por insalubridade.

Mas já disse isso numa coluna anterior: não quero ficar feliz com a tristeza alheia. O problema do mal – do Mal – é que ele contamina. Experimente começar a distribuir pão para os pobres e convide os amigos. Vai um, vai outro, aquele está com dor de barriga, outro tem que cortar a unha, outro tem sono… Agora saia à rua gritando coisas desconexas e incitando quebra-quebra. Vai juntar gente de todos os lados, destruindo tudo sem motivo. O mal agrega, o mal contamina. Não desejo o mal a Bolsonaro, muito menos sua morte. Quero que ele esteja vivo e saudável para pagar suas dívidas, especialmente a maior de todas, que continua a descoberto: os crimes na pandemia. Foi o brasileiro responsável por mais mortes na história. O pior brasileiro de todos os tempos.

Encontrei na padaria o palhaço Bozo. Saudei-o, sempre fui seu fã, e não pude deixar de perguntar se ele não se incomodava de compartilhar o nome com aquele ser abjeto. Ele coçou o narigão e respondeu:

-Meu amiguinho, nunca gostei disso não. Mas acho que já é hora de mudar o apelido, tenho até uma sugestão.

-E qual seria?

-Na minha turminha não tinha o Papai Papudo? Vamos chamar ele de Papai Papuda…

 

Em memória de Mario Jorge Passos, Marcelo Biar, Dulce Bressane, Mônica Ferreira, e centenas de milhares de pessoas que perderam a vida desnecessariamente.

 



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Ricardo Dias

Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.

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