20 de janeiro de 2026
O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) completa 16 anos como o principal mecanismo de acesso às universidades públicas no Brasil. Criado para centralizar o ingresso no ensino superior e ampliar a concorrência nacional por vagas, o sistema passou a ocupar lugar central no debate sobre a democratização do acesso à universidade, com impactos concretos e desafios ao longo do tempo. A edição deste ano é a maior da história, tanto em número de instituições participantes quanto em vagas ofertadas. As inscrições tiveram início nesta semana, no dia 19, e seguem até 23 de janeiro.
O Sisu entrou em operação em 2010, com o objetivo de organizar o ingresso de estudantes em universidades públicas a partir do desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ao substituir os vestibulares próprios das instituições participantes, o sistema unificou a seleção de candidatos em uma plataforma nacional, alterando de forma estrutural o modelo de acesso ao ensino superior público.
A proposta do Sisu foi desenhada para simplificar o acesso ao ensino superior, reduzir custos tanto para as instituições quanto para os candidatos e ampliar o alcance das universidades públicas a estudantes de diferentes regiões do país. A lógica do sistema permite que um mesmo candidato dispute vagas em mais de uma instituição sem a necessidade de múltiplas provas, o que ampliou as possibilidades de ingresso e a mobilidade estudantil.
Desde sua criação, o Sisu passou por uma forte expansão. Em sua primeira edição, foram ofertadas 47,9 mil vagas distribuídas entre 51 instituições de ensino. Em 2026, o programa atingiu seu maior volume: 274,8 mil vagas, organizadas em 7.388 cursos de 136 universidades públicas, consolidando-se como a principal porta de entrada no ensino superior público no país.
O acesso ao Sisu é condicionado a critérios objetivos. Podem concorrer candidatos que tenham concluído o Ensino Médio, realizado o Enem e não tenham zerado a redação. A classificação ocorre de acordo com a nota de corte, definida a partir do desempenho dos inscritos em cada curso. A partir das regras mais recentes, passou a ser possível utilizar as notas das três últimas edições do Enem, o que amplia o universo de candidatos e oferece maior flexibilidade ao processo seletivo.
Outro elemento central do Sisu é a política de cotas. No Sisu, todos os candidatos concorrem inicialmente na ampla concorrência, e quem tem direito às cotas passa a disputar as vagas reservadas se não for selecionado inicialmente. Pelo menos 50% das vagas do Sisu são destinadas a estudantes de escolas públicas. Dentro desse percentual, há subdivisões de cotas: vagas para alunos de baixa renda (50%), para pretos, pardos, indígenas, quilombolas e para pessoas com deficiência.
Ao longo de seus 16 anos de funcionamento, o Sisu também enfrentou desafios. Com sua grande abrangência, o sistema já enfrentou problemas como instabilidades técnicas nos períodos de inscrição e episódios de falhas de segurança, como vazamento de informações. Esses problemas alimentaram críticas ao modelo e levantaram questionamentos sobre sua capacidade operacional. Ainda assim, o sistema permanece como uma das principais políticas públicas voltadas à democratização do acesso ao ensino superior no Brasil, reunindo avanços, limites e desafios próprios de um mecanismo de alcance nacional.
Por Samantha Maia
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