O que significa sair do Mapa da Fome? – IREE

Análises e Editorial

O que significa sair do Mapa da Fome?

29 de julho de 2025

Por Samantha Maia e Gabriela Farias 

No dia 28 de julho de 2025, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI 2025)“. O documento traz a boa notícia de que o Brasil saiu do Mapa da Fome, o que significa que menos de 2,5% da população brasileira estava em risco de subnutrição ou sem acesso à alimentação suficiente no triênio de 2022 a 2024. O país havia voltado ao Mapa da Fome no triênio de 2019 a 2021, após ter saído pela primeira vez em 2014.

O Mapa da Fome é um indicador global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para mapear os casos de subnutrição e insegurança alimentar no mundo. Esse indicador é importante para entender como a escassez de alimentos afeta diferentes territórios e para orientar políticas e ações de combate à fome.

A FAO atualiza os dados todos os anos, mas sempre usando a média dos últimos 3 anos. Isso evita distorções causadas por eventos pontuais, como crises econômicas ou desastres naturais. Para estimar a parcela da população sem acesso suficiente a alimentos, são utilizadas as seguintes variáveis: 

  • A quantidade de alimentos disponíveis no país (produção, importação, exportação)
  • O consumo de alimentos pela população (considerando as diferenças de poder de compra e a ingestão calórica adequada para um “indivíduo médio”)
  • Como a quantidade de alimentos se distribuiria entre a população (considerando desigualdade de renda)

Dessa forma, sair do Mapa da Fome não significa que a fome acabou no Brasil. Embora represente um avanço importante, a insegurança alimentar ainda é um problema sério no país, com milhões de pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade. Por isso, políticas públicas consistentes e investimentos baseados em dados seguem sendo fundamentais para enfrentar esse desafio.

Indicadores e programas de combate à fome no Brasil

Dois pilares fundamentais para a construção de estratégias de combate à fome no país são o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), espaço de participação social recriado em 2023, e o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PLANSAN), instrumento de planejamento do governo federal.

O Brasil possui indicadores que permitem identificar de forma mais precisa a situação da população sem acesso suficiente a alimentos e que servem para direcionar as políticas públicas contra a fome. Entre eles estão os dados de renda e de pobreza da PNAD Contínua e da Pesquisa de Orçamentos Familiares e as informações de saúde relacionadas à alimentação da Pesquisa Nacional de Saúde, todos levantamentos realizados pelo IBGE.

Já a Estratégia Saúde da Família (eSF) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) têm um papel importante na coleta de dados sobre domicílios com dificuldades de acesso a alimentos por meio da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar, além de realizarem o acompanhamento nutricional de crianças beneficiadas pelo programa Bolsa Família. O CadÚnico também passou a ser usado para estimar o risco de insegurança alimentar grave entre as famílias inscritas, com base em indicadores da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar do IBGE.

Segundo o governo federal, uma combinação de políticas públicas voltadas para a redução da pobreza permitiu ao país sair do Mapa da Fome, entre elas o investimento em merenda de qualidade, com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), a Política Nacional de Agricultura Familiar e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Outras iniciativas importantes para o combate à fome são o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), de compra de produtos da agricultura familiar para distribuição à população em insegurança alimentar, o Programa Cisternas, para acesso à água potável e produção agrícola em regiões de seca, e as Cozinhas Solidárias, que preparam e doam refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.



Por Samantha Maia

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