7 de abril de 2026
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor de forma provisória a partir de 1º de maio de 2026, antecipando a redução de tarifas e a facilitação do comércio entre os países que já concluíram seus trâmites internos, como o Brasil.
Assinado no dia 17 de janeiro de 2026, após 26 anos de negociações, o acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Juntos, os blocos reúnem 31 países, cerca de 720 milhões de pessoas e mais de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB) combinado, consolidando uma parceria de grande peso na economia global.
O principal efeito do acordo é a redução gradual de tarifas comerciais. Pelo texto, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia fará o mesmo para 95% dos produtos do bloco sul-americano em até 12 anos. Na prática, isso cobre cerca de 85% das importações brasileiras vindas da Europa e 92% das importações europeias originadas no Mercosul, ampliando o fluxo de comércio entre as regiões.
O acordo será importante para o agronegócio brasileiro, que já tem a União Europeia como um dos destinos mais relevantes para seus produtos. Em 2025, o Brasil exportou US$ 21,8 bilhões em itens agrícolas para o bloco, número que sobe para US$ 25,2 bilhões ao incluir celulose, madeira e couros processados. Ao todo, 44% das exportações brasileiras para a UE vieram do setor agropecuário.
Entre os segmentos mais favorecidos pelo acordo estão carne bovina, carne de aves, açúcar, etanol, café, frutas, celulose e alimentos processados. A indústria de alimentos projeta que as exportações de produtos industrializados para a Europa possam crescer até 8% no longo prazo, com potencial de gerar cerca de 30 mil empregos no país.
No caso da carne bovina, o acordo estabelece uma cota para o Mercosul de 99 mil toneladas anuais com tarifa reduzida de 7,5%. Desse total, 55 mil toneladas serão de carne fresca ou refrigerada e 44 mil de carne congelada, sendo que o Brasil deve concentrar cerca de 42,5% desse volume.
Por outro lado, o tratado também impõe novas exigências ambientais. A União Europeia poderá barrar produtos associados ao desmatamento ocorrido após 2020, o que afeta diretamente cadeias como soja, carne bovina, café, cacau e madeira, aumentando a pressão por rastreabilidade e sustentabilidade.
Além do agro, o acordo também impacta a indústria. Setores como automóveis, medicamentos, tecnologia, patentes, compras públicas e minerais críticos passam a contar com regras específicas. No setor automotivo, por exemplo, a abertura tarifária pode levar até 15 anos, enquanto em áreas ligadas a novas tecnologias esse prazo pode chegar a 30 anos.
Outro ponto relevante é o acesso da União Europeia a minerais críticos do Mercosul. A Europa precisa diversificar o acesso a essas matérias-primas estratégicas para a transição energética, reduzindo a dependência da China. Ao mesmo tempo, o acordo preservou ao Brasil o direito de aplicar impostos de exportação sobre recursos como lítio, nióbio, cobalto e terras raras, permitindo estimular o processamento local e a agregação de valor..
Os impactos do acordo variam entre os blocos. Para a União Europeia, a aproximação com o Mercosul responde à necessidade de reduzir dependências estratégicas e diversificar parcerias com uma região de alta capacidade produtiva em alimentos, energia e matérias-primas. Para o Mercosul, o acordo pode estimular investimentos estrangeiros, favorecer a transferência de tecnologia, reduzir custos de produção e fortalecer a inserção dos países nas cadeias globais de valor.
Por IREE
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