O que está em jogo na COP30 – IREE

Análises e Editorial

O que está em jogo na COP30

28 de agosto de 2025

Por Samantha Maia e Gabriela Farias

A COP30, primeira conferência do clima a ser realizada em território amazônico em novembro, se aproxima em meio a desafios logísticos e tensões geopolíticas que desviam o foco das questões centrais para o avanço da agenda ambiental contra o aquecimento global. Os preços abusivos das hospedagens em Belém (PA), sede do evento, continuam sendo um obstáculo para a participação de muitas delegações. Além disso, conflitos militares, disputas tarifárias e a ausência dos Estados Unidos da agenda climática dificultam a cooperação internacional e limitam os recursos disponíveis para ações efetivas contra a crise climática.

Em sua sexta carta, publicada no dia 19 de agosto, a presidência da COP30 convocou os países a intensificar seus esforços de combate às mudanças climáticas e reforçou a urgência na apresentação das NDCs, além de destacar a importância do financiamento climático e anunciar consultas internacionais para preparar o terreno para as negociações em Belém. O objetivo principal da cúpula será tirar do papel os acordos fechados até o momento. Confira a seguir em 5 pontos o que está em jogo na COP30.

1) Meta Global de Adaptação

Definir os indicadores do compromisso estabelecido no Acordo de Paris para ajudar países, cidades e comunidades a se prepararem para os impactos das mudanças climáticas que já estão acontecendo. Seu objetivo é fortalecer a resiliência e reduzir a vulnerabilidade desses locais.

2) Preservação

Avançar em compromissos que conectem a proteção da biodiversidade e a mitigação climática. A expectativa é que o evento reforce a importância da preservação como eixo estratégico para a ação climática e dê visibilidade às demandas do Sul Global, que depende de ecossistemas saudáveis para segurança climática, alimentar e hídrica.

3) Acordos

Transformar promessas em ações concretas e mensuráveis é um dos principais objetivos da COP30. A implementação das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) destaca-se entre essas ações, devendo ser apresentadas antes do início do encontro com metas mais ambiciosas para reduzir emissões nos setores de energia, transporte, agricultura e florestas.

4) Financiamento climático

Garantir que os países ricos cumpram o compromisso financeiro de US$ 300 bilhões, assumido na COP29, para apoiar as nações mais pobres no enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas, e articular soluções para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais em recursos externos para os países em desenvolvimento.

5) Transição energética

Estabelecer metas concretas para avançar na transição energética “justa e equitativa” e garantir o cumprimento do compromisso firmado na COP28 de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e triplicar a energia renovável mundialmente até 2030.



Por Samantha Maia

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