O que diz o Censo 2022 sobre trabalho e renda no Brasil – IREE

Análises e Editorial

O que diz o Censo 2022 sobre trabalho e renda no Brasil

13 de outubro de 2025

Por Samantha Maia e Gabriela Farias 

No dia 9 de outubro, o IBGE divulgou os dados do Censo 2022 sobre trabalho e rendimentos. Segundo o levantamento, os trabalhadores brasileiros recebiam em média R$ 2.851 por mês. Nos extremos da distribuição, 35,3% da população ocupada (31,3 milhões de pessoas) ganhavam até um salário mínimo, que valia R$ 1.212 à época, enquanto apenas 7,6% tinham renda superior a cinco salários, equivalentes a R$ 6.060.

Os maiores rendimentos médios do Brasil concentraram-se nas regiões Centro-Oeste (R$ 3.292) e Sul (R$ 3.190). O Sudeste também ficou acima da média nacional, com renda média de R$ 3.154. Já o Norte e o Nordeste registraram as menores médias, de R$ 2.238 e R$ 2.015, respectivamente.

Os dados também evidenciaram a desigualdade de renda por gênero e por raça no país. De acordo com o Censo, em 2022, as mulheres ganhavam em média 19,6% menos que os homens no Brasil. Embora essa diferença ocorra em todos os níveis de escolaridade, ela é mais acentuada entre universitários, chegando a 37,5%.

 

 

O recorte por raça mostrou que, em 2022, trabalhadores amarelos e brancos tinham os maiores rendimentos em todos os níveis de instrução. A renda média mensal geral foi de R$ 5.942 entre os amarelos e R$ 3.659 entre os brancos, acima dos pardos (R$ 2.186), pretos (R$ 2.061) e indígenas (R$ 1.683). Entre os universitários, os amarelos recebiam R$ 8.411, mais que o dobro dos indígenas (R$ 3.799). Os brancos com ensino superior ganhavam em média R$ 6.547, 56,8% a mais que os pretos (R$ 4.175) e 43,6% acima dos pardos (R$ 4.559).

A alta desigualdade de renda no país se refletiu no índice de Gini, calculado pelo Censo, que atingiu 0,542 em 2022. O coeficiente varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 0, maior a igualdade, e quanto mais perto de 1, maior a concentração de renda. Entre as regiões brasileiras, apenas o Sul ficou abaixo de 0,5, com 0,476. Os índices das demais regiões foram: Sudeste, 0,530; Centro-Oeste, 0,531; Nordeste, 0,541; e Norte, 0,545.

Caminho para o trabalho

O Censo trouxe detalhes sobre o trajeto dos brasileiros de casa até o trabalho. A maioria dos trabalhadores leva até meia hora para chegar ao serviço e apenas 11,4% demoram mais de uma hora no trajeto até o emprego.

Os dados do Censo apontam que apenas 7% dos que ganham até meio salário mínimo chegam em até 5 minutos ao trabalho, percentual que sobe para 12% entre os que têm renda acima de 5 salários. Por outro lado, 13% dos trabalhadores com renda de até meio salário mínimo levam mais de uma hora para chegar ao trabalho, contra 8,8% entre os que recebem acima de cinco salários.

No recorte por raça, os trabalhadores pretos têm os piores tempos de deslocamento: 17% levam mais de uma hora para chegar ao trabalho e apenas 8% chegam em até 5 minutos. Entre os pardos, 13% têm trajetos superiores a uma hora e 10% chegam em até 5 minutos. Já os brancos e amarelos apresentam melhores condições: 10% levam mais de uma hora e mais de 10% chegam em até 5 minutos.

Entre as capitais brasileiras, Florianópolis (SC) tem o menor tempo de deslocamento: quase 79% das viagens até o trabalho são feitas em até meia hora. Em seguida vem Goiânia (GO), com 63%. Os piores índices de deslocamento estão nas duas maiores cidades do país. No Rio de Janeiro, 30% dos trabalhadores levam mais de uma hora para chegar ao serviço. Em São Paulo, o percentual é de 28%.

No Brasil, o carro é o principal meio de transporte para ir ao trabalho, utilizado por 22,6 milhões de pessoas (32,3%), seguido por ônibus (14,9 milhões; 21%), caminhada (12,4 milhões; 17,8%) e motocicletas (11,4 milhões; 21,2%). Trem e metrô atendem 1,1 milhão de trabalhadores (2%), enquanto a bicicleta é usada por 4,4 milhões (6,2%). Há também diferenças regionais: no Norte (28,5%) e no Nordeste (26%), a motocicleta é mais comum, enquanto no Sul (45,9%) e no Centro-Oeste (38,8%) predomina o uso de automóveis.



Por Samantha Maia

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