O papel dos EUA no programa nuclear do Irã – IREE

Análises e Editorial

O papel dos EUA no programa nuclear do Irã

16 de abril de 2026

O programa nuclear do Irã tem suas origens ligadas diretamente à política externa dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Em 1953, o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower lançou a iniciativa “Átomos para a Paz”, que buscava compartilhar tecnologia nuclear com países aliados e conter a influência da União Soviética. Assim, os Estados Unidos foram decisivos para a formação do programa nuclear iraniano.

Ainda em 1953, o cenário político interno do Irã também foi profundamente transformado. Um golpe apoiado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido derrubou o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo iraniano e é considerado o governo mais democrático que o Irã já teve. Com sua queda, o monarca Mohammad Reza Pahlavi assumiu o poder e reaproximou o país dos interesses anglo-americanos, especialmente no setor energético.

 

 

Sob o regime do xá Reza Pahlavi, o Irã avançou significativamente em tecnologia nuclear com apoio dos Estados Unidos, que forneceram treinamento de cientistas, urânio enriquecido e até um reator de pesquisa. O programa cresceu rapidamente ao longo das décadas seguintes, sustentado por altos investimentos e ambiciosos planos de expansão. Em 1970, o país assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), comprometendo-se formalmente com regras internacionais sobre o uso da tecnologia nuclear.

A trajetória foi interrompida em 1979, com a Revolução Iraniana, que derrubou a monarquia e instaurou uma República Islâmica liderada por clérigos, estrutura que permanece até hoje. A revolução reuniu diferentes forças sociais, incluindo setores laicos contrários à repressão política e grupos religiosos contrários à modernização acelerada e à forte influência ocidental. Com a mudança de regime, o Irã rompeu relações com os Estados Unidos, mas herdou uma infraestrutura nuclear já estabelecida.

Nos anos seguintes, o país buscou novos parceiros para dar continuidade ao seu programa. A partir de 1987, o Irã retomou o desenvolvimento nuclear com apoio de países como Paquistão, China e Rússia. Esse período foi marcado pela ampliação da infraestrutura nuclear em meio a crescente pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos. Ao longo desse processo, o governo iraniano sustentou que suas atividades permaneciam dentro dos limites do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

Em 2003, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) identificou atividades nucleares não declaradas pelo Irã, o que levou a uma nova crise diplomática. Estados Unidos e países europeus acusaram o país de violar o TNP e impuseram sanções econômicas. O governo iraniano, por sua vez, afirmou que seu programa tinha fins pacíficos.

A crise abriu caminho para uma nova tentativa de contenção. Em 2015, foi assinado o acordo nuclear conhecido como JCPOA, que impôs limites ao enriquecimento de urânio e ampliou o sistema de inspeções internacionais. Em contrapartida, sanções econômicas seriam reduzidas. Até hoje não há evidências de que o Irã tenha desenvolvido uma arma nuclear.

A partir de 2018, o acordo entrou em colapso quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o país do pacto, classificando-o como “unilateral” e “desastroso”, e retomou sanções contra o Irã. Nos anos seguintes, a política de pressão foi intensificada, incluindo medidas sobre setores estratégicos da economia iraniana.

Em 2025, os Estados Unidos realizaram ataques contra três instalações nucleares iranianas, destruindo uma delas. Em fevereiro de 2026, em ação conjunta com Israel, novos ataques foram realizados contra alvos no Irã, aprofundando a escalada militar que se prolonga até os dias atuais.



Por IREE

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