O Menino Ney, o Golden Shower e a Sigla – IREE

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O Menino Ney, o Golden Shower e a Sigla

Ricardo Dias

Ricardo Dias
É luthier, escritor e músico



E o menino Ney quer privatizar a praia. Faz ele muito bem, afinal esse povo que deu a ele tudo que tem não merece ficar por aí comendo frango com farofa de graça. E tem outra coisa boa nisso: quem sabe, tendo praias só deles, esses imbecis comecem a pensar na ecologia? Sim, pois o nível do mar vai subir. Pode rolar praia na Avenida Paulista ou na Savassi. Como, aliás, tem rolado no Sul.

E sabem o que o Congresso fez? Isso mesmo: nada. Mentira, estão fazendo sim, dando sequência a diversos artigos que afrouxam as leis ambientais. Aí Lula corre ao Sul e tira 50 bi de onde não tem. Eduardo Leite agradece ao Musk, que doou umas antenas de internet. Um ser humano medíocre, culpado por alguma percentagem dessa tragédia, incapaz da grandeza de reconhecer o esforço do adversário. Deve achar que isso tira votos. Mas, curiosamente, os artigos que ele cortou de proteção à natureza não tiram. NADA tira voto dessa gente.

Mas Tarcisio fez um plano. Bem parecido com o de Haddad, alguns pontos em comum. O governo Lula é perdulário, e Tarcisio, segundo nossa grande imprensa, um exemplo. Já sabemos quem será o ungido para as próximas eleições, o homem da câmera opcional. Não deixa de fazer sentido, vai continuar matando os potenciais usuários das praias não privatizadas. Menos gente para reclamar.

E nossa imprensa continua no seu ritmo habitual. A família de Xandão é ameaçada. Ele invoca a lei, e ponto. Setores dos jornalões dizem que se trata de crime comum, não caberia a intervenção do Supremo. Well, Xandão não foi ameaçado por ser careca, ou por ser torcedor do Corinthians. Foi sua pessoa jurídica, lato e stricto sensu.

Mas falar o correto, o óbvio, não pega muito bem. Uma coisa que me espanta é que NENHUM podcast científico que conheço bate de frente com astrologia. É uma enorme bobagem, terraplanismo socialmente aceito, mas eles não criticam. Acho que temem perder audiência. Me parece que acontece o mesmo com alguns jornalistas. Tirando Reinaldo Azevedo, que tem sido constantemente coerente, sem se preocupar em perder seguidores, aparentemente é tudo uma enorme busca de likes. E eu espero que a motivação para tanta insensatez seja mesmo e apenas troca por likes…

Mas tenho que fazer que nem o Mourão, e não me permitir nenhum desvio de função. Aqui tenho que fazer gracinha – mas olha, anda difícil.

O ponto é que essa gente é coerente: na enchente de alguns anos atrás, Bolsonaro foi passear de jet ski. Hoje, é o nobre 03 que faz o mesmo, mas diz que foi checar o que estava acontecendo. Parece que, depois de navegar por alguns quarteirões no centro da cidade, conseguiu constatar:

-É enchente.

E ficou nisso. Depois foi para os EUA denunciar nossa ditadura, em seguida, a Buenos Aires fazer o mesmo. Com nosso dinheiro, claro, e meu lado pouco cristão acha que o total gasto tiraria da fome algumas famílias. Mas ora bolas, o menino tem o direito de se divertir! Foi eleito para isso, ninguém esperava nada dele mesmo, mania de querer que as pessoas deem o que não podem dar. Idem quanto a esperar alguma palavra de empatia do mito. Ele não é capaz, não façam a maldade de esperar dele um sopro de humanidade. Gente cruel, meu Deus! O coitado se estressa, e tome de estourar erisipela, prisão de ventre, uma judiação. Deixem o mito em paz! Aposto que esse pessoal que fica cobrando não vai levar nem uma latinha de leite condensado com um pãozinho para ele na prisão.

Tivemos em Sampa a Marcha para Jesus e a Parada Gay. Honestamente, acho que nosso amigo JC iria preferir a segunda. Aguentar uma gente – que numa encarnação anterior tenho quase certeza que apanhou dele – ou uma galera colorida pulando e cantando? E, melhor, resgatando a camisa da seleção! Bolsonaro certamente não iria gostar, não se registrou qualquer golden shower. Em nenhuma das marchas, que fique claro.

Mas vivemos num mundo estranho. Certamente alguém vai me recriminar por ter dito “Parada Gay”. Tem que ser parada lgbtqia e mais umas duas ou três letras. Qualquer novidade no mundo sexual vai ter que merecer uma letra nova. Acho que quem escolhe esses nomes deve ser de direita. Quem escolhe essa sigla é um infiltrado, só pode ser. Não seria muito mais simples algo como, sei lá, G+, sendo G de Gênero? Daria belos logotipos, seria muito mais atraente visualmente, muito mais simpático do que a gente ter que decorar uma sigla horrorosa que muda toda semana. Vamos simplificar para agregar.

Mas vão dizer que não tenho lugar de fala. É muito difícil viver em 2024. Lato e stricto senso.



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Ricardo Dias

Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.

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