O impacto das bets na vida das mulheres – IREE

Análises e Editorial

O impacto das bets na vida das mulheres

24 de agosto de 2026

O relatório Mulheres e Bets, realizado pelo estúdio Clarice em parceria com o instituto de pesquisa Ideia, traça um retrato da relação das mulheres com as apostas online. Segundo o levantamento, 42% das mulheres apostam ou já apostaram, enquanto 12% nunca jogaram, mas sofrem impactos das apostas de pessoas próximas. Entre as apostadoras, 72% têm filhos. Mães apostam cerca de 1,6 vez mais do que mulheres sem filhos. A pesquisa reúne 20 grupos qualitativos, com 60 mulheres e homens, e uma enquete nacional com 2.008 entrevistados, realizada em julho.

Entre as modalidades de aposta, os cassinos online são os mais comuns: 49% das apostadoras jogam nesse formato, como no “Tigrinho”, enquanto 26% apostam em futebol. O horário também aparece como um aspecto relevante: 30% das mulheres costumam jogar mais à noite ou de madrugada.

A pesquisa também identifica as principais formas de contato das mulheres com as apostas: 24% relatam influência das redes sociais, 23% citam grupos de amigos e 18% mencionam influenciadores digitais. A publicidade aparece como um importante fator de estímulo: 72% das mulheres acreditam que os anúncios de apostas contribuem para que as pessoas joguem mais do que deveriam. Entre as entrevistadas que já acessaram plataformas, 79% afirmam que as redes sociais passaram a exibir mais conteúdos relacionados a apostas depois do 1º acesso.

Os impactos ultrapassam o ato de apostar. Entre as mulheres afetadas pelas apostas na própria vida, 24% relatam conflitos familiares, 24% citam perda de confiança, 21% relatam desgaste emocional e 12% afirmam ter sofrido mudança na qualidade de vida.

O endividamento aparece entre os efeitos mais graves: 7% das mulheres apostadoras afirmam já ter pedido dinheiro emprestado a agiotas para apostar. Entre as mulheres afetadas por apostadores, 8% dizem que elas próprias ou alguém próximo precisou recorrer a agiotas.

Segundo a pesquisa, as apostas aparecem menos como uma busca por enriquecimento do que como uma tentativa de complementar a renda e aliviar as pressões do orçamento doméstico. A promessa de dinheiro rápido se conecta a responsabilidades historicamente atribuídas às mulheres, como o cuidado e a provisão das necessidades da família.



Por IREE

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