O impacto da igualdade de gênero na economia – IREE

Análises e Editorial

O impacto da igualdade de gênero na economia

Por Juliana Pithon e Samantha Maia

Além de uma questão de justiça social, a igualdade de gênero também pode ter um impacto mensurável na economia global. Segundo o relatório ‘Women, Business and the Law’, conduzido pelo Banco Mundial, se leis e práticas discriminatórias que limitam as oportunidades das mulheres no trabalho e no empreendedorismo fossem eliminadas, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial poderia crescer em mais de 20%. Isso significaria dobrar a taxa de crescimento global na próxima década.

Ainda existe um longo caminho, porém, para se chegar a condições mais igualitárias na economia. De acordo com a Instituição, nenhum país oferece oportunidades verdadeiramente iguais para homens e mulheres no trabalho. Além disso, as mulheres têm apenas 64% das proteções legais usufruídas pelos homens.

A disparidade salarial é outro aspecto marcante dessa desigualdade. A pesquisa estima que as mulheres ganham, em média, 77 centavos por dólar pago aos homens. Embora 98 países possuam leis que exigem igualdade salarial para funções equivalentes entre homens e mulheres, apenas 35 deles implementaram mecanismos eficazes para garantir a aplicação dessas leis.

Medidas pela igualdade

Diante desse cenário, o Banco Mundial propõe diversas medidas para promover a igualdade de gênero. Isso inclui melhorar as leis relacionadas à segurança, cuidados infantis e oportunidades de negócios, promulgar reformas que eliminem as restrições ao trabalho das mulheres, expandir as disposições sobre licença maternidade e paternidade e estabelecer cotas obrigatórias para mulheres nos conselhos de administração de empresas de capital aberto.

Tea Trumbic, Coordenadora do relatório, ressalta que “aumentar a participação econômica das mulheres é a chave para amplificar suas vozes e moldar as decisões que as afetam diretamente. Os países simplesmente não podem se dar ao luxo de marginalizar metade de sua população.”

Situação no Brasil

Apesar de superar a média global em igualdade de gênero no trabalho, o Brasil fica atrás de países como México, Uruguai, Bolívia, Peru e Paraguai. Para avançar nessa questão, pela primeira vez o governo brasileiro se comprometeu com uma agenda transversal de mulheres no Plano Plurianual de 2024-2027.

As metas do PPA incluem elevar a formalização das mulheres de 41% para 45,2%, reduzir a disparidade salarial de 22% para entre 12% e 19%, incrementar em 0,7% ao ano o rendimento real do trabalho das mulheres e aumentar para 45% o percentual de mulheres nos espaços de poder e decisão.

Para alcançá-las, o governo planeja destinar R$ 14,1 bilhões do Orçamento deste ano às medidas e implementar o plano nacional de igualdade salarial. Além disso, estão previstos seminários sobre discriminação, assédio e violência no trabalho, bem como medidas práticas para apoiar mulheres em áreas rurais, como assistência técnica para 42.192 agricultoras familiares e o fornecimento de creches ou escolas 50,8% das crianças de 0 a 3 anos.



Por Juliana Pithon

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