28 de maio de 2026
Na sequência da nossa série especial sobre os temas que devem marcar as eleições de 2026, o debate agora é sobre a proteção das mulheres. O aumento dos casos de feminicídio, agressão, ameaça, perseguição e estupro colocou a violência contra a mulher entre as principais preocupações da população brasileira, levando ao centro do debate público um problema que, por muito tempo, foi tratado equivocadamente como uma questão privada.
Só em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o levantamento “Retrato dos Feminicídios no Brasil“, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)
. Além dos números, a violência aparece nas histórias compartilhadas entre amigas, familiares, colegas de trabalho e vizinhas. Quase todo mundo conhece uma mulher que já sofreu ameaça, agressão ou algum tipo de violência. A repetição desses episódios reforça a sensação de banalização e impunidade.
Embora o Brasil tenha avançado na criação de leis e políticas públicas de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, especialistas apontam que o principal desafio ainda está na implementação efetiva dessas medidas. A falta de estrutura, a demora nas respostas, a dificuldade de acesso à rede de proteção e o medo de denunciar ainda impedem as mulheres de se sentirem seguras.
O medo influencia decisões do dia a dia das mulheres: o horário de voltar para casa, o transporte utilizado, os lugares frequentados e até as roupas que escolhem usar. A sensação constante de vigilância e autoproteção mostra como a violência afeta a liberdade e a autonomia feminina.
A pressão por respostas ao problema já tem gerado iniciativas nos diferentes poderes. Mais recentemente, ações do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio — iniciativa que reúne Executivo, Legislativo e Judiciário — ampliaram a prisão de agressores, aceleraram a análise de medidas protetivas e expandiram a rede de atendimento às vítimas. No Congresso Nacional, até o fim de maio, 1.140 proposições relacionadas aos direitos das mulheres haviam sido apresentadas na atual legislatura (2023-2026).
Diante desse cenário, a tendência é que o combate à violência de gênero ganhe ainda mais espaço na campanha eleitoral de 2026, com potencial de influenciar os votos especialmente do eleitorado feminino.
Este é o segundo material da nossa série especial sobre os temas que devem marcar as eleições de 2026. Siga acompanhando!
Por IREE
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